sábado, 1 de agosto de 2020

Um encontro para discutir o José Saramago romancista e jornalista





O Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PPgEM) e o Departamento de Comunicação Social (Decom) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promovem o I COMUNIC-AÇÃO: pesquisa, ensino e democracia, durante 22 de junho a 03 de agosto de 2020. O objetivo do título e do projeto é reforçar a ideia da comunicação aplicada ao cotidiano, apresentar resultados de pesquisas e do conhecimento gerado, contribuir para formação dos discentes da graduação e da pós-graduação por meio da oferta de atividades complementares (que contarão como crédito curricular), e enfatizar que a comunicação plena, no sentido da interação, só pode ocorrer um ambiente plural e democrático. 

O evento finaliza no dia 3 de agosto com uma sessão de diálogos intitulada “Jornalismo, literatura e política: o legado do intelectual e romancista José Saramago”. A conversa que se inicia a partir das 16h online reúne Henrique Mendes, Pedro Fernandes de Oliveira Neto e Maria do Socorro Furtado Veloso. A ideia é percorrer do período formativo do escritor português, com destaque para suas atividades como jornalista, a alguns dos temas fundamentais da sua literatura, o diálogo que estes mantêm com as questões contemporâneas, e os lugares que se formam a partir do pensamento crítico e intelectual.

Todas as informações sobre inscrições estão disponíveis aqui.


terça-feira, 16 de junho de 2020

18 de junho de 2020, uma década sem José Saramago



Em 2020 passam-se dez anos sobre a morte de José Saramago, o primeiro nome das literaturas de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Para sublinhar a data, um programa com atividades variadas começa a ser colocado em prática a partir do dia 18 de junho. Nesta publicação in progress, um registro com as informações que aqui chegam sobre eventos.

LEITURA DO QUE SERIA O ÚLTIMO ROMANCE DE JOSÉ SARAMAGO
Essa atividade é organizada pela Fundação José Saramago

Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas é o romance que José Saramago estava a escrever quando, no dia 18 de junho, “deixou de estar”, como gostava de se referir à morte. O livro, tal qual o escritor o havia deixado, foi publicado em 2014 (no Brasil, pela Companhia das Letras com ilustrações de Günter Grass). Além dos três primeiros capítulos, que começam a desvelar a história de Artur Paz Semedo, um homem em conflito moral por trabalhar numa fábrica de armamento, foram também publicadas as notas que José Saramago fez como preparação prévia para a escrita do romance. O livro será lido pelos atores André Levy, Joana Manuel e Tiago Rodrigues. A sessão, que será transmitida por streaming pelo Maple Live, terá lugar no auditório da FJS às 18h30 (horário de Portugal). O custo do bilhete virtual é de 3€ e o acesso é feito através deste link.


UMA CONVERSA COM O PROFESSOR HORÁCIO COSTA
Essa atividade é organizada pelo Grupo de Pesquisa Colonialismo e Pós-Colonialismo em Português 

O encontro sob responsabilidade da Professora Fátima Bueno é organizado pelos Professores Tania Antonietti-Lopes, José Vanzelli e Penélope E. A. Salles. Acontece a partir das 19h (horário de Brasília) em transmissão online no dia 18 de junho. O acesso ao evento pode ser feito através deste link.


UM SEMPRE UM PAPO EM CASA
Sequência de atividades virtuais do projeto "Sempre Um Papo"

O encontro virtual reúne a jornalista e presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, o editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz e o Professor da Universidade de Coimbra, Carlos Reis, mediados por Afonso Borges. O evento acontece no 18 de junho, às 19h (horário de Brasília) no Canal no Youtube 


EXIBIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO E DEBATE
Atividade desenvolvida pelo Cardume Filmes

O canal de streaming dedicado ao cinema brasileiro realiza uma sessão virtual seguida de debate do média-metragem um humanista por acaso escritor, documentário produzido e filmado seguindo alguns dos rastros de Saramago pelo mundo. O filme, dirigido por Leandro Lopes, percorre vestígios do autor, esposo, avô e, acima de tudo, humanista, que usou os microfones disponíveis enquanto escritor para gritar os problemas do mundo. O filme é permeado por depoimentos e imagens por onde José Saramago viveu (Azinhaga, cidade natal; Lisboa, lugar da maturidade literária; Lanzarote, ambiente do sucesso como escritor) e áudios de entrevistas e palestras ministradas pelo escritor pelo mundo. Entre os entrevistados estão os escritores Valter Hugo Mãe, Andréa Del Fuego e Gonçalo M. Tavares; a presidenta da Fundação José Saramago Pilar Del Rio; e o diretor do filme José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes. A exibição será aberta e gratuita no canal da Cardume no Youtube, seguida de debate com o diretor do filme, Leandro Lopes, e convidados, como o diretor de comunicação da Fundação José Saramago, em Lisboa, Ricardo Viel e Pedro Fernandes, editor da Revista de Estudos Saramaguianos. Tudo começa pelas 19h do dia 18 de junho de 2020.



segunda-feira, 25 de maio de 2020

Maria Velho da Costa e José Saramago, relações





No dia 13 de outubro de 1998, em depoimento para o jornal Diário de Notícias, Maria Velho da Costa assim se referiu ao Prêmio Nobel de Literatura então atribuído a José Saramago:

“Recebi a notícia com muita alegria. A primeira reacção foi infantil e espontânea, porque é uma pessoa por quem tenho muita estima e respeito, por termos passado juntos por experiências políticas e profissionais. A segunda foi mais elaborada: só lhe posso desejar a continuação de felicidades, que ele mereceu após tantos anos de dificuldades na via.”

Em 1979, ela dividiu espaço com o escritor no livro Poética dos cinco sentidos. A escrita dessa obra foi encomendada pela editora Bertrand; os convidados deviam escrever sobre cada um dos seis tapetes que compõem a tapeçaria “La Dame à la Licorne” (A dama e o unicórnio), conservados no Museu de Cluny, em Paris. As peças foram tecidas no vale de Loira em torno de 1500.

Os textos decorrentes dessa inspiração estão alinhados pelo tom alegórico que cada um dos escritores se valeu para interpretar as representações dos tapetes: o texto que Maria Velho da Costa escreveu foi “A vista”; José Saramago, “O ouvido”; Augusto Abelaira, “O olfato”; Nuno Bragança, “O gosto”; Ana Hatherly, “O tato”; e Isabel da Nóbrega, “A sexta”.

No correr dos Cadernos de Lanzarote saltam ocasiões de encontros dos dois escritores, como a visita que realizaram com Vergílio Ferreira e Maria Lourdes Belchior a uma escola nos Estados Unidos em 1984 a convite de Mécia de Sena ou a participação numa mesa em 1994 com Almeida Faria sobre o tema “Caminhos do romance contemporâneo”.

Maria Velho da Costa ficou reconhecida com a publicação censurada em 1972, Novas cartas portuguesas, obra que, diferente de Poética dos cinco sentidos, é manifestamente de escrita e autoria híbridas (com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta). Escreveu, dentre outros, Maina Mendes (1969), Casas pardas (1977) e Myra (2008). Pela sua obra, recebeu inúmeros prêmios, entre eles, o Prêmio Camões em 2002.

Nascida em Lisboa, em 1938, Maria Velho da Costa faria 82 anos no próximo dia 26 de junho. A escritora morreu neste 23 de maio de 2020 em Lisboa.

Por Pedro Fernandes
Co-diretor da Revista de Estudos Saramaguianos

segunda-feira, 11 de maio de 2020

A Revista de Estudos Saramaguianos prepara edição sobre "Levantado do chão"




“Em 2020 celebramos quatro décadas da primeira edição deste que é considerado o romance com o qual José Saramago inaugura seu estilo único de narrar – Levantado do chão. Situando-se num arco de três gerações da família de trabalhadores rurais do interior do Alentejo, as narrativas conformadas neste livro são a um só tempo, uma revisitação sobre a tradição, a memória, a história de luta dos camponeses em Portugal e seu levante contra as forças de opressão do poder dominante. A relevância desta obra, portanto, se define, entre outras determinantes, pelo papel na construção do universo ficcional saramaguiano e na tradição literária sobre as relações do homem e as ideologias de seu tempo.” 

Assim justifica a Revista de Estudos Saramaguianos a publicação do dossiê “Voltar a Levantado do chão, um romance dentro e fora de seu tempo”. Interessados em enviar textos para compor esta edição a se publicar em agosto de 2020, podem fazê-lo até o dia 30 de junho de 2020. As informações sobre como preparar os textos estão aqui.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Novo título da Coleção Estudos Saramaguianos reúne estudos sobre o romance "Ensaio sobre a cegueira"





Chama-se Peças para um ensaio. O livro é organizado pelo Professor Pedro Fernandes de Oliveira Neto e reúne em quatro centenas de páginas dezessete textos sobre uma das obras, se não principal, entre as mais conhecidas e, portanto, fundamental para a literatura de José Saramago: Ensaio sobre a cegueira. Publicado em 1995, este romance se consolida como uma leitura simultaneamente ousada e inesgotável sobre a moral e a condição humana no interior de um tempo quando o ideal de civilização atravessa um longo e penoso crepúsculo. 

"Os múltiplos olhares designados sob o termo peças, também os objetos que dão forma a um objeto maior, constituem na esteira do romance em questão, um ensaio, este redigido a várias mãos e interessado em evidenciar (ou mesmo estabelecer novos) itinerários de leitura e interrogações continuamente atuais só propiciadas através de objetos culturais como a literatura", diz a sinopse divulgada pela casa editorial que tem publicado os livros da Coleção Estudos Saramaguianos, no interior da qual está albergado esta coletânea.

Esta coleção tem como objetivo resgatar estudos valiosos para a bibliografia crítica da obra de José Saramago; a este trabalho, visa apresentar ainda novas leituras, compondo um rico diálogo capaz de oferecer uma rica tessitura sobre a literatura do escritor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1998. 

Os autores que aparecem em Peças para o ensaio são, além do organizador da coletânea, Miguel Real, Begoña Ortega Villaro, Sandra Ferreira, Miguel Alberto Koleff, Monica Figueiredo, Cleomar Pinheiro Sotta, Tania Mara Antonietti Lopes, Odil José de Oliveira Filho, Miriam Giberti P. Pallotta, Maiquel Röhrig, Horácio Costa, Teresa Cristina Cerdeira, Cesar Kiraly, Odete Jubilado, Orlando Grossegesse, Ana Paula Arnaut e Sara de Almeida Leite.

O livro pode ser adquirido aqui