segunda-feira, 14 de maio de 2018

Evento no Brasil sublinha os vinte anos do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago




Em 2018, passam-se 20 anos da atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago. Leitores e pesquisadores da obra do escritor português têm organizado encontros diversos ao redor do mundo para marcar essa data, importante por razões diversas. 

O autor de Memorial do convento, por exemplo, é o primeiro da comunidade de língua portuguesa a receber o galardão. Afora o ineditismo é preciso sublinhar sua força criativa e seu trabalho intelectual frente a vários temas caros à comunidade humana contemporânea. Um destaque em relação a estas outras duas marcas é o caso de ser o escritor português citado entre os nomes mais importantes para os novos rumos do romance e a elaboração recente por uma equipe de pensadores e estudiosos de várias partes do mundo de um documento que cobra às Organizações Unidas, além dos direitos, os deveres humanos.

As razões não findam aí. E no interior de grandiosidade diversas, dois professores brasileiros colocam em prática a realização de uma ideia há muito pensada: o 1º Colóquio de Estudos Saramaguianos. O convite de Socorro Veloso, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e de Pedro Fernandes, do Departamento de Linguagens e Ciências Humanas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido é para os dias 13, 14 e 15 de junho de 2018. 

“A importância deste evento é a de estabelecer diálogos, propiciar o intercâmbio de experiências de leituras e perspectivas em vistas de contribuir para a tessitura de um momento fundamental na sobrevida do escritor – e igualmente para seus leitores, que encontram no seu universo ficcional e nas suas provocações, peças fundamentais para a postura de desassossegados ante esta realidade fugidia porque complexa e cujos meandros cobram de nós o necessário debate”, sublinha a apresentação da iniciativa.

“Nosso interesse é compor um painel multissignificativo que dialogue com as várias possibilidades de leituras e de leitores interessados em oferecer algumas peças indispensáveis ao saber literário e à formação humana – algo escasso numa sociedade cada vez mais presa aos limites impostos pela técnica. As abordagens que formam as vozes desse encontro são diversas porque uma obra de igual plurissignificação não se reduz a uma ou outra crítica”, acrescenta.

Conferência, mesas e exibições de filmes. Para participar desta programação basta enviar e-mail a coloquiosaramaguianos@gmail.com informando nome completo, instituição a que está vinculado e número do CPF. Os certificados serão emitidos a partir dessas informações, em meio eletrônico. Mais informações através deste site.

terça-feira, 1 de maio de 2018

71ª edição da Revista Blimunda




A Fundação José Saramago acaba de disponibilizar online uma nova edição do mensário editado pela instituição. É o número referente ao mês de abril. Reúne reflexões sobre a cidade de Lisboa. "Que Lisboa estamos a construir para o futuro?" São as respostas à pergunta que permeiam boa parte da edição: da opinião de especialistas a textos de José Saramago sobre a cidade.

Para baixar a edição clica aqui.


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Carta de Deveres e Obrigações inspirada no discurso de Saramago já está na ONU




No discurso que proferiu no Palácio Real Estocolmo no banquete oferecido aos ganhadores do Prêmio Nobel de 1998, José Saramago chamou atenção dos presentes para uma efeméride celebrada naquela ocasião: os 50 anos da assinatura Declaração Universal dos Direitos Humanos. Na ocasião, chamava atenção para o descaso dos governos em respeito à carta.

Mais tarde, numa atividade celebrativa assinalando o mesmo documento dá-se início à proposição do que agora toma forma como Carta Universal dos Deveres e Obrigações dos Seres Humanos. O texto entregue à Organização das Nações Unidas é o resultado de vários anos de trabalho de acadêmicos, especialistas e cidadãos e visa defender a “ética da responsabilidade”, segundo a presidenta da Fundação José Saramago Pilar del Río.

Segundo agência de notícias espanhola Efe, o documento zela pela “simetria” dos deveres humanos. Assim, no seu primeiro artigo, declara que todas as pessoas têm “o dever de cumprir e exigir o cumprimento dos direitos” reconhecidos por essa Declaração.

“Não queremos ser nem amedrontados, nem intimidados, nem resignados, nem indiferentes e, para isso, temos que cumprir os nossos deveres. Em primeiro lugar, exigir que se cumpram os direitos. É um projeto que nasce no âmbito ibero-americano, mas com vocação universal”, sublinhou Pilar del Río.

A carta está estruturada em 23 artigos que reúnem uma ampla gama de deveres para as pessoas, desde o de não discriminar até ao de respeitar a vida, passando por obrigações como o respeito da liberdade ideológica e religiosa e a participação nos assuntos públicos.




segunda-feira, 2 de abril de 2018

70ª edição da Revista Blimunda




No dia 14 de março, o Brasil ampliou a onda de choque que vive desde a desestabilização da democracia com o Golpe de 2016. Em meio a uma intervenção militar no Rio de Janeira imposta, a morte de uma ativista pelos Direitos Humanos e vereadora ativa contra o colapso naquele estado. A edição n.70 da revista Blimunda reverbera as ondas desse choque: dedica várias das suas páginas à memória de Marielle Franco. Além do editorial e das leituras do mês, a parlamentar brasileira é recordada também na coluna de Andréa Zamorano.

A revista tem ainda como destaque um texto da escritora Lídia Jorge em homenagem a Urbano Tavares Rodrigues, uma crônica sobre o Festival Rota das Letras, uma entrevista à ilustradora Catarina Sobral e um artigo sobre a exposição Saramago – os pontos e a vista, inaugurada no dia 3 de março em São Paulo.

Para baixar a edição, clica aqui.


segunda-feira, 19 de março de 2018

Pesquisadores brasileiros preparam evento para assinalar os vinte anos do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago




O professor Pedro Fernandes, autor de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Appris, 2012), anuncia que, em parceria com a professora Socorro Veloso, pesquisadora sobre a relação do escritor português com o jornalismo, prepara um simpósio para junho.

O evento deve seguir o modelo dos projetos da mesma natureza coordenados por Pedro em 2007 a partir do grupo Estudos Sobre o Romance, do qual é coordenador, com mesas e produtos culturais em relação com a literatura. No ano em questão, por exemplo, ele este à frente de dois simpósios, um sobre o multiartista brasileiro Mário Peixoto (em novembro, no Rio de Janeiro), e outro sobre a escritora Clarice Lispector (em dezembro, em Caraúbas, no âmbito do Programa Hora de Clarice, do Instituto Moreira Salles).

A nova ocasião integra as diversas atividades preparadas para marcar os vinte anos de atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago. Foi em outubro de 1998, quando a Academia Sueca divulgou o que há muito leitores de língua portuguesa ansiavam e também escritores. Nas cartas trocadas com Jorge Amado e publicadas no ano passado pela Companhia das Letras, por exemplo, é flagrante a angústia dos dois sobre o silêncio da Suécia para com as literaturas da agora chamada lusofonia. O próprio escritor brasileiro, em divulgação recente das listas do prêmio, chegou a ser cotado, mas só o amigo conseguiria o feito inesperado. Saramago seguirá como o primeiro nas literaturas de expressão portuguesa a receber o galardão que ignorou outros tantos grandes ao longo da sua existência e privilegiou a outros muitos cuja unanimidade pela atribuição ficou a desejar. 

Até agora, Coimbra é a primeira cidade a sublinhar a efeméride com a proposição de um congresso internacional para outubro. O evento sediado no Brasil acontecerá na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal.