quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Exposição “O feminino na escrita de José Saramago”



“Estou inventando mulheres ou talvez, outra forma de ser mulher”
(José Saramago)

Lena Gal, como artista plástica com larga obra dedicada à representação do feminino busca alcançar esse universo de formas femininas igualmente pintadas pela escrita de José Saramago. Tudo nasceu depois de ler o livro Retratos para a construção do feminino naprosa de José Saramago, do professor brasileiro Pedro Fernandes de OliveiraNeto; depois foi estar em contato com parte significativa da obra do Prêmio Nobel de Literatura. Esses dois encontros fez nascer na artista a necessidade de ir ao que ela chama de “essência” da representação, por um “elo forte entre as personagens saramaguianas e as da minha linguagem plástica, entre a minha pintura feminina e as mulheres reais da minha própria história de vida”.

O resultado é uma exposição inspiradora. “Identifiquei a mesma força, os silêncios, os sentidos do olhar, a intuição, o amor, a sensualidade, a denúncia de casos de violência e do assédio sexual, a cumplicidade feminina do despertar para a consciência do ser mulher, e deixei-me guiar pelo meu interior, pelo sentir este foco feminino, pelo envolvimento emocional e pelos momentos de ansiedade para, num trabalho criativo, pela forma, pela cor e pelo simbolismo dar rosto a mulheres como Blimunda, a mulher do médico entre outras mulheres/personagens tão fortes, tão sábias como tantas mulheres da vida real que encarnam o arquétipo da Grande Mãe que pinto” – lembra a artista.

Lena Gal é de S. Miguel (Açores) e a exposição “O feminino na escrita de José Saramago” é aberta ao público no dia 26 de setembro no Centro Municipal de Ponta Delgada. Na mostra, 25 telas, 21 acrílicos sobre tela e quatro desenhos produzidos num interstício de leituras: a do livro de Pedro Fernandes, a da obra de José Saramago e a da pintura. É um trabalho desenvolvido ininterruptamente há dois anos. 

Para Pedro Fernandes, estudioso da obra de José Saramago, e quem assina o catálogo da exposição, o trabalho de Lena “reúne muitas peculiaridades: não somente porque estamos diante de mãos femininas já prendadas na arte da invenção de outras maneiras de ser mulher, mas porque a artista se encontra motivada em simultâneo pela escritura [...] ensaística e pela romanesca, extraindo desse encontro figurações que são síntese e limiar de uma ação interpretativa”.

A exposição fica à disposição dos visitantes até o dia 23 de outubro.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

28ª edição da Revista Blimunda



“A história acabou, não haverá nada mais que contar”, escreveu Saramago na última linha de Caim. Em 2009, quando terminou o último romance que viu publicado, o escritor abriu um documento no seu computador e anotou: "Afinal, talvez ainda vá escrever outro livro."

O livro que Saramago estava a escrever quando, em junho de 2010, deixou de estar – como definia a morte – tem como título Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas e agora é, finalmente, dado a conhecer. É sobre a publicação da última história que Saramago quis contar que se centra a 28ª edição da revista Blimunda, no seu dossiê central. Além de um texto sobre o romance inacabado e de uma entrevista com Luiz Eduardo Soares, antropólogo e especialista em segurança pública que assina o prefácio da edição brasileira de Alabardas, alabardas, a revista traz as palavras de quatro editores envolvidos no processo de publicação do romance.

Também em destaque na edição de setembro da Blimunda o registo fotográfico de João Pina sobre a Operação Condor, aliança forjada entre os regimes militares e ditatoriais de vários países do Cone Sul da América e a CIA, nos anos 70 do século passado. O texto sobre o livro do fotógrafo português é assinado por Sara Figueiredo Costa.

Na seção Cinema, João Monteiro apresenta a segunda parte do seu artigo sobre literatura negra e cinema negro.

Andreia Brites e Sérgio Machado Letria estiveram em Beja, nas Palavras Andarilhas, de onde trouxeram uma deliciosa conversa com a escritora e pedagoga colombiana Yolanda Reyes, que há mais de trinta anos se dedica à mediação e promoção da leitura.

Para fechar a revista, a Saramaguiana recupera o manifesto de José Saramago contra a Guerra no Iraque, apresentado publicamente na Porta do Sol – Madrid, em 2003, diante de centenas de milhares de pessoas que se manifestavam contra mais um episódio de uma história feita de guerra e de barbárie.

Para baixar a revista basta ir aqui.