quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Projeto apresenta e discute a obra de José Saramago






“José Saramago. Ler para mover-se”. Este é o título de uma intervenção proposta pelo Professor Pedro Fernandes de Oliveira Neto sobre a obra de José Saramago no âmbito dos Encontros com Autores. Este projeto integra as atividades de extensão desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa do Pensamento Complexo, da Universidade do Rio Grande do Norte.

O Encontro com Autores se constitui de momentos de escuta, apreensão e compreensão da trajetória intelectual de um autor ou escritor nacional, internacional ou local que é apresentado e discutido por um pesquisador convidado. Coordenado pelo Professor Ailton Siqueira, desde 2008, pelo espaço já passaram discussões sobre a obra de nomes como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Antonin Artaud e Raduan Nassar.

Pedro Fernandes é professor de Teoria da Literatura, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa na Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Estuda a obra de José Saramago há quase duas décadas, itinerário que começou a se fazer público com a escrita de diversos trabalhos, incluindo uma monografia que estabelece nexos entre a obra do escritor português e o existencialismo de Jean-Paul Sartre (apresentada em 2008). Em 2012, publicou o livro Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Editora Appris); atualmente é diretor da Revista de Estudos Saramaguianos e coordena para a Editora Moinhos a Coleção Estudos Saramaguianos, que reúne importantes publicações acadêmicas sobre a obra do escritor português.

José Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922, na aldeia ribatejana de Azinhaga. Viveu em Lisboa e depois, a partir de 1993, em Lanzarote, uma ilha do arquipélago das Canárias, até os seus últimos dias – morreu a 18 de junho de 2010. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Escreveu crônica, ensaio, teatro, contos, poesia e ficou reconhecido por romances como Memorial do convento, O ano da morte de Ricardo Reis, O evangelho segundo Jesus Cristo e Ensaio sobre a cegueira.

O convívio do pesquisador com o universo literário do escritor português, suas observações sobre alguns dos momentos singulares da literatura saramaguiana compõem os interesses de Pedro Fernandes para o novo Encontro com Autores que acontece neste 25 de outubro de 2019, a partir das 17h, na sede da Companhia A Máscara de Teatro (Rua Felipe Camarão, 1506, Doze Anos, Mossoró / RN). O encontro tem transmissão da TV UERN, apoio da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e do Departamento de Ciências Sociais.   

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Adeus a Harold Bloom, o leitor atento de José Saramago




“Lendo Saramago sinto-me como Ulisses tentando prender Proteu, o deus metamórfico do oceano; ele passa o tempo todo a escapar”. A frase de Harold Bloom abre um texto no qual visita os principais romances de José Saramago, principalmente, O evangelho segundo Jesus Cristo, para ele a obra-prima do escritor português junto a O ano da morte de Ricardo Reis. O texto foi publicado como introdução a este importante trabalho organizado por ele com leituras das mais diversas e fundamentais aos estudos saramaguianos. Publicado em 2005, José Saramago integra uma prestigiada coleção de estudos críticos sobre as obras mais importantes da literatura universal. 

Reiteradas vezes depois o crítico estadunidense voltou a falar sobre a obra saramaguiana no tom elogioso que a colocava em relação a nomes com Philip Roth ou aquele que foi um marco fundamental na sua catedral crítica, Shakespeare; mas, também em tom de enfrentamento, como quando escreveu sobre Caim, classificado por ele como “um erro, mas que não deve macular o nosso sentimento de uma partida gloriosa”. 

A relação entre os dois principia pela leitura que Bloom faz da obra de Saramago e da qual resultou os primeiros escritos ainda anteriores ao encontro pessoal na Universidade de Coimbra, no início dos anos 2000. Harold Bloom não foi paradoxal apenas com a leitura de Saramago; o paradoxo que está, certamente, em toda sua vasta obra crítica, aliás, é qualidade fundamental à formação de todo importante crítico, porque não se lida com rigor e seriedade, dois termos que bem definem seu trabalho como leitor, sem acompanhar muito de perto os múltiplos relevos da criação.

Por Pedro Fernandes de Oliveira Neto
Co-diretor da Revista de Estudos Saramaguianos


O registro do fotógrafo Rui Uchôa data de maio de 2001, quando Harold Bloom reencontra José Saramago na Fundação Luso-Americana na apresentação do número 6 de revista Portuguese Literary & Cultural Studies dedicada ao escritor português. Uma versão do texto final que integra José Saramago foi apresentada nessa ocasião.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A exposição “Saramago. Os pontos e a vista” está em Belém




No Museu do Estado do Pará (MEP), desde  o dia 15 de dezembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019. Com curadoria de Marcello Dantas, a mostra tem o patrocínio do Banco Santander, por meio da Lei Rouanet. A produção é da Magnetoscópio e a realização é do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura; da Fundação José Saramago; da Reitoria da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Cátedra João Lúcio de Azevedo Camões, I.P / UFPA, com o apoio do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (SECULT), Sistema Integrado de Museus e Museu do Estado do Pará (MEP).

A exposição é baseada na integração de quinze módulos, cada um composto de breves textos explicativos e objetos cênicos que se mesclam com a projeção de vídeos de momentos da vida de Saramago, selecionados a partir do acervo de imagens do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, que produziu o filme José e Pilar após anos de convivência com o casal. De forma lúdica e interativa, o público tem contato com mobiliários e acessórios originais do escritor: óculos, lupa e cama, que integram o acervo da Fundação José Saramago.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

“Diálogos com José Saramago”, de Carlos Reis está disponível no Brasil





O livro foi apresentado pela Editora da Universidade Federal do Pará no dia 14 de dezembro de 2018, depois de uma palestra sobre a obra de José Saramago. 

Diálogos com José Saramago foi apresentado pela Editorial Caminho, em Portugal, em 1998 e se tornou uma fonte à qual todos aqueles interessados em conhecer melhor o pensamento e a criatividade do escritor português visitam. 

Mais tarde, quando a obra de Saramago passou a ser editada pela Porto Editora, o livro recebeu nova edição, com acréscimo de novos textos do entrevistador. 

É a primeira vez que o livro de Carlos Reis ganha edição no Brasil.  A edição reúne a longa entrevista que José Saramago concedeu ao professor. Um registo de testemunhos realizado durante cerca de sete horas em que Reis questiona o criador de Blimunda sobre a formação, a aprendizagem, a profissão e a condição de escritor.

José Saramago fala-nos sobre a linguagem da literatura, sua relação com a história, os gêneros literários, a narrativa e o romance, sem omitir os temas e valores, os sentidos e destinos comuns.


O livro também recebeu uma publicação em língua espanhola em 2018 pela Editora La Umbría y La Solana. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Livro revive o lado de dentro do Prêmio Nobel a José Saramago




Desde a criação da Fundação José Saramago que o jornalista brasileiro Ricardo Viel vive os bastidores de um grupo interessado na memória e no pensamento político do escritor-objeto dessa instituição. Foi desse convívio que nasceu a ideia de organizar um livro que revelasse aos leitores da obra de Saramago que se sentiram tão agraciados quanto o escritor com a recepção do ainda mais importante prêmio concedido a um criador.

Os 20 anos da data de entrega do Nobel a Saramago e a aparição dos diários inéditos que escritor organizou naquele ano de glorias foram motivos mais que suficientes para a apresentação de Um país levantado em alegria. O livro “refaz o caminho da notícia do primeiro Prêmio Nobel em língua portuguesa, revelando episódios desconhecidos, dando a conhecer mensagens recebidas por José Saramago e celebrando, vinte anos depois, um prêmio que foi vivido intensamente no mundo inteiro”.

O livro apresentado em Portugal em outubro, na ocasião do congresso internacional criado para celebrar a obra e a data aqui em questão chega ao Brasil. Ricardo Viel, ao lado de Humberto Wernek, apresenta seu livro e o de José Saramago (os dois saem por aqui acondicionados numa caixa) no dia 17 de dezembro na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, São Paulo). A edição é da Companhia das Letras.