sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ensaio sobre a cegueira, a arquitetura do romance



Para marcar a data dos 20 anos de publicação do romance Ensaio sobre a cegueira, chega às livrarias portuguesas pela Porto Editora e pela Fundação José Saramago, Ensaio sobre a cegueira: a arquitetura de um romance. O livro reúne uma compilação do dia a dia do escritor, desde os seus diários às intervenções públicas, sobre a escrita da obra. No anúncio realizado pela FJS, frisa-se que este livro será oferecido ao leitor na compra de um exemplar de Ensaio sobre a cegueira. Aos leitores de Portugal e fora, foi oferecida uma versão em PDF que pode ser baixada aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

No 93º aniversário de José Saramago, mais quatro títulos em reedição de sua obra



Somam já 21 títulos publicados pela nova casa editorial responsável pela edição da obra de José Saramago, Porto Editora. Desde então, as capas dos livros do escritor português têm sido marcadas por um diferencial: os títulos são redigidos por nomes da cultura de língua portuguesa. Personalidades como Mia Couto, Chico Buarque, Eduardo Lourenço, entre outros amigos de Saramago têm emprestado a caligrafia para nomear as obras.

Na nova leva, Todos os nomesA jangada de pedraTerra do pecado e Objeto quase; dessa vez, as capas contaram com a colaboração do cineasta Miguel Gonçalves Mendes, e dos escritores Mário Cláudio, José Luís Peixoto e João Tordo, respectivamente.

A jangada de pedra é um muito conhecido romance de Saramago, já adaptado ao cinema por George Sluizer e publicado em mais de 20 línguas, que tem como pano de fundo uma utopia: a separação da Península Ibérica do restante continente europeu, tornando-se uma ilha. 

Neste grupo de novas edições é publicado ainda o primeiro romance de Saramago, Terra do pecado, cuja 1.ª edição data de 1947, e o seu primeiro livro de contos Objeto quase, de 1978. 

Todos os nomes foi o romance que lançou antes de ser distinguido pela Academia Sueca, em 1998, onde o autor expressa a necessidade urgente de encontrar o outro, talvez porque nessa busca acabe por se encontrar a si mesmo. Segundo Eduardo Lourenço, é "um dos grandes romances de amor da literatura portuguesa". (Público). 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Os 93 anos de José Saramago



A Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa divulgaram o programa de mais uma edição do Dia do Desassossego, que por contemplar quase todo o mês de novembro recebem sua forma plural. As celebrações são pelo aniversário de Saramago e a memória sobre a morte de Pessoa.

16 DE NOVEMBRO
93º ANIVERSÁRIO DE JOSÉ SARAMAGO
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
SEGUNDA ÀS 11H30 E ÀS 18H30
ENTRADA LIVRE

A celebrar o aniversário de José Saramago, apresentam-se as bases da Declaração dos Deveres Humanos, a partir de proposta do autor aquando da atribuição do Prémio Nobel, em 1998, e que, desde Junho último, é objecto de debate e de construção no México por académicos e pensadores de várias partes do mundo. Nesta sessão estarão presentes os redactores ibéricos da Declaração.
A seguir, será inaugurada a exposição de fotografias de Alexandre Ermel, da rodagem do filme Blindness, de Fernando Meirelles, adaptação do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, nos 20 anos da sua publicação.

Mais tarde, às 18h30, no auditório da FJS, o grupo de teatro A Barraca apresenta um ensaio aberto de Clarabóia, o segundo romance de José Saramago. Clarabóia foi escrito em 1953 e publicado apenas após a morte do seu autor. No dia em que se cumpre mais um aniversário do nascimento de José Saramago, desvenda-se um pouco desta produção e primeira adaptação do romance.
Ao longo de todo o dia, as portas estão abertas e a entrada é livre na Fundação José Saramago.

DECLARAÇÃO DOS DEVERES HUMANOS
ÀS 11H30

EXPOSIÇÃO: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
DE ALEXANDRE ERMEL
ÀS 11H30

CLARABOIA – GRUPO DE TEATRO A BARRACA (ENSAIO ABERTO)
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
ÀS 18H30

30 DE NOVEMBRO
80 ANOS DA MORTE DE FERNANDO PESSOA
TEATRO SÃO LUIZ E TEATRO DO BAIRRO ALTO (CORNUCÓPIA)
SEGUNDA ÀS 19H00 E ÀS 21H30
PREÇÁRIO €5 (CADA)

A 30 de Novembro de 1935 Pessoa morre em Lisboa, no Hospital de São Luís dos Franceses, com uma crise de pancreatite aguda. No dia anterior escrevera, mistério ou acaso, aquelas que foram as suas últimas palavras: “I know not what tomorrow will bring”. Passam 80 anos dessa data e, para recapitular e ouvir estas oito décadas, a Casa Fernando Pessoa apresenta um programa de memória e escrita, recriação e leitura. João Grosso retoma a sua elogiada interpretação de Ode Marítima de Álvaro de Campos, peça-chave na engrenagem da centenária Orpheu 2 – Teatro São Luiz, às 19 horas. De seguida, às 21h30, na Cornucópia, Luís Miguel Cintra chama três actores para com ele apresentarem A nossa natural angústia de pensar: Fernando Pessoa e as marcas que deixou na poesia portuguesa, um recital encenado por Luis Miguel Cintra com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz

Ao longo de todo o dia, a Casa Fernando Pessoa tem as portas abertas para entrada livre. Às 15 horas oferece uma visita guiada aos que vierem partilhar connosco esta data.

ODE MARÍTIMA
JOÃO GROSSO
SLTM
ÀS 19H00

Encenação e interpretação de João Grosso
A NOSSA NATURAL ANGÚSTIA DE PENSAR:
FERNANDO PESSOA E AS MARCAS QUE DEIXOU NA POESIA PORTUGUESA
TEATRO DO BAIRRO ALTO/TEATRO DA CORNUCÓPIA
ÀS 21H30

Encenação de Luis Miguel Cintra com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz
18 DE NOVEMBRO – CONCERTO
MÁRIO LAGINHA TRIO
A BIBLIOTECA DOS MÚSICOS
CENTRO CULTURAL DE BELÉM – PEQUENO AUDITÓRIO
QUARTA ÀS 21H00
PREÇÁRIO €7,5

Em A Biblioteca dos Músicos o Mário Laginha Trio revisita leituras para fazer um concerto de temas dedicados a grandes romances e autores, personagens que não se esquecem, poemas que se sabem de cor.
Nesta passagem das páginas à música, vamos conhecer as bibliotecas e as referências pessoais de Mário Laginha (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria).
Em estreia, duas peças inéditas dedicadas a José Saramago e a Fernando Pessoa.

19, 20 E 21 DE NOVEMBRO – FILMES
INADAPTAÇÕES: FILMES COM LIVROS
CINEMA MONUMENTAL, SALAS 3 E 4
PREÇÁRIO €5
Filmes com livros dentro, filmes sobre livros, filmes desassossegados pela literatura: um ciclo sobre os modos de inscrição da escrita e da leitura no cinema, e sobre os diálogos possíveis (além da adaptação) entre ideias de cinema e ideias de literatura, em colaboração com o projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema*, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.
Escolhas e apresentações de Pedro Mexia, Tiago Baptista, Osvaldo Silvestre e Mário Jorge Torres.
Por Pedro Mexia
A SERIOUS MAN / UM HOMEM SÉRIO
DE ETHAN COEN E JOEL COEN
QUINTA ÀS 21H30
Por Tiago Baptista
JUVENTUDE EM MARCHA
DE PEDRO COSTA
SEXTA ÀS 21H30
Por Osvaldo Silvestre
IN THE MOUTH OF MADNESS / A BÍBLIA DE SATANÁS
DE J. CARPENTER
SÁBADO ÀS 19H00
Por Mário Jorge Torres
ALL THAT HEAVEN ALLOWS / O QUE O CÉU PERMITE
DE DOUGLAS SIRK
SÁBADO ÀS 21H30
*O projecto Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema (PTDC/CLE-LLI/120211/2010) é um projecto do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa.

20 E 27 DE NOVEMBRO – MESAS – REDONDAS
SE A LITERATURA SALVA?
PEDRO SANTOS GUERREIRO E LUÍS CAETANO
“Se a literatura salva? Não, não salva. Mas se ela se extinguir, extingue-se tudo.” Hélia Correia
Luís Caetano (Antena 2) e Pedro Santos Guerreiro (Expresso) convidam para uma conversa sobre literatura e experiências de leitura pessoas para quem os livros – seus autores, imaginários, poéticas, personagens – são parte importante, vasta e fundamental do seu trabalho ou pensamento. Que livros fizeram estes leitores?

TIAGO RODRIGUES E ANTÓNIO MEGA FERREIRA
COM PEDRO SANTOS GUERREIRO
DIA 20, SEXTA, NA FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
ÀS 18H30
LABORINHO LÚCIO E GABRIELA CANAVILHAS
COM LUÍS CAETANO
DIA 27, SEXTA, NA CASA FERNANDO PESSOA
ÀS 18H30

21 E 28 DE NOVEMBRO – NA CIDADE
PASSEIOS LITERÁRIOS
PERCURSOS ENTRE A FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO E A CASA FERNANDO PESSOA
DURAÇÃO 180’ APROX.
PREÇÁRIO 10€
MARCAÇÕES: geral@misslisbon.com (LOTAÇÃO LIMITADA)
Para os dois sábados propomos passeios por Lisboa à procura de sinais e vestígios deixados pelos escritores nos seus celebrados textos. Pessoa e Saramago motivam estes percursos que servem de ponte entre as duas casas de autor da cidade.

A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
SÁBADO, DIA 21 ÀS 10H00
PONTO DE ENCONTRO: LARGO DO SÃO CARLOS
Neste percurso, convidamo-lo a conhecer a Lisboa de Fernando Pessoa, passando pelos locais da cidade que marcaram a sua vida e obra. Percorremos as ruas, os cafés, as paisagens e alguns locais onde habitou, ao som da sua poesia.

O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS
SÁBADO, DIA 28 ÀS 14H00
PONTO DE ENCONTRO: FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, cruzam-se Ricardo Reis, Lídia e Fernando Pessoa. Neste passeio revisitamos os locais referidos na obra, pontuando-os com a leitura de excertos do romance.

27 DE NOVEMBRO – MÚSICA E POESIA
A VOZ DOS LIVROS
MUSICBOX
SEXTA
PREÇÁRIO €7,5
BRUTA / DOUTOR TRISTEZA
MIA SOAVE
ÀS 23H00
Lançamento do CD e livro Bruta/ Doutor Tristeza. Bruta/ Doutor Tristeza junta a antologia Doutor Tristeza (organizada e prefaciada por Henrique Manuel Bento Fialho) “do decadente poeta brasileiro Augusto dos Anjos (1884 – 1914), primo em doidice dos poetas interpretados por Ana Deus e Nicolas Tricot com Bruta (CD), canções feitas a partir de textos de poetas internados em hospitais psiquiátricos, e outros mais ou menos delirantes, como Ângelo de Lima, Stela do Patrocínio, António Gancho, Mário de Sá Carneiro, Sylvia Plath, António Joaquim Lança e António Maria Lisboa.”
Com Ana Deus voz e Nicolas Tricot voz, guitarra, baixo, banjo, flauta e manipulação de objectos

POLITICAMENTE SUSPEITO
RUI HERMENEGILDO E RICARDO HENRIQUES
ÀS 00H30
É do livro de Thomas Mann, A Montanha Mágica, que nasce o projecto de curadoria musical de Rui Hermenegildo (DJ) e de Ricardo Henriques (autor) cujo ponto de partida é o confronto aí expresso: a música como alienação, a palavra como veículo para a sublimação.
Ao longo dos tempos, a música foi sendo incorporada em diferentes manifestações artísticas, algumas das quais também se apropriavam da literatura, de que a ópera e o cinema constituem, porventura, os exemplos mais significativos. Politicamente suspeito experimenta uma outra união entre a música e a literatura: o resultado será uma obra improvisada em que uma história é contada com recurso a uma selecção de músicas que convocam o sentido de um texto escrito em tempo real.
Se devemos suspeitar da música, chamemos também as palavras para nos libertarmos.

29 DE NOVEMBRO – LEITURAS
A ALMA INQUIETA
LARGO DE SÃO CARLOS
DOMINGO ÀS 17H00
DURAÇÃO 80’ APROX.
Uma viagem literária pelo desassossego, partindo d’O sentimento dum ocidental de Cesário Verde e convocando autores como Almeida Garrett, Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Antonio Tabucchi, Fernando Pessoa, José Saramago.
Leituras de Carla Bolito, Maria João Vicente, Marcello Urgeghe, Miguel Loureiro e Paulo Pinto, concepção de Carla Bolito, Marcello Urgeghe e António Mega Ferreira

O DESASSOSSEGO EM COLECTIVO: A LITERATURA NO ESPAÇO PÚBLICO
Dentro das duas semanas abrangidas pelos Dias do Desassossego, há três programas que irão desenvolver-se com uma dinâmica particular em termos de tempo e público. Têm outra temporalidade, são trabalhos em curso e em crescendo, e prevêem uma relação de maior proximidade com os grupos com os quais vão ser postos em prática: uma experiência de colectivo. Chegando ao final todos reivindicam o mesmo: que a literatura saia à rua.

OFICINA DO DESASSOSSEGO
Os Serviços Educativos da Casa Fernando Pessoa e da Fundação Saramago conceberam em conjunto uma nova oficina para alunos do 10º, 11º e 12º anos, que funcionará na Escola Secundária Pedro Nunes, na Escola Básica e Secundária Gil Vicente e na Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico Rainha Dona Amélia.

Na Oficina do Desassossego são trabalhados em aula textos de Pessoa e Saramago, através de excertos escolhidos a partir de temas como a identidade, a morte, o amor, a política e a contestação.
Saindo da escola, os alunos irão ler e dizer esses textos a quem passa, a quem se interroga e a quem se deixa desassossegar. Estrela, Santa Apolónia e Alto de Santo Amaro serão as zonas em desassossego.

DESASSOSSEGO SUSSURADO
MIGUEL HORTA COM HOSPITAL JÚLIO DE MATOS
Concretizando uma ideia de inclusão, o mediador de leitura Miguel Horta trabalhará durante três dias com um grupo de utentes do Hospital Júlio de Matos, numa oficina de construção poética. A Máquina da Poesia, metodologia de escrita imaginativa, vai culminar num momento de partilha com a cidade recorrendo a sofisticados sussurradores, para dizer baixinho e a quem passa os poemas que criaram.

No Sábado, dia 28, uma outra oficina será aberta a todos os que queiram viver os dois momentos, o da criação de textos (manhã) e o da saída para rua (tarde), momento de partilha entre os dois grupos e a cidade.

DESASSOSSEGO SUSSURADO
OFICINA ABERTA
FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO
DIA 28, SÁBADO, DAS 10H00 ÀS 12H30
ENTRADA LIVRE MEDIANTE MARCAÇÃO (secretaria@josesaramago.org)

PESSOA E SARAMAGO NAS RUAS DE LISBOA
GAU – GALERIA DE ARTE URBANA
Fernando Pessoa e José Saramago fizeram de Lisboa cenário dos seus livros, pelas suas ruas passearam personagens, alimentando inquietações e construindo histórias. Para homenagear os dois escritores, e em parceria com a Galeria de Arte Urbana da CML, convidámos artistas para realizarem num local da cidade um trabalho que tem como ponto de partida os livros, Pessoa e Saramago. O processo de produção poderá ser acompanhado ao longo dos Dias do Desassossego, desvendando no final uma nova peça de arte urbana que, como todas, durará o tempo da efemeridade.

PARCEIROS DE PROGRAMAÇÃO:
A BARRACA; SLTM; TEATRO DO BAIRRO ALTO/CORNUCÓPIA; FALSO MOVIMENTO: ESTUDOS SOBRE ESCRITA E CINEMA; MEDEIA MONUMENTAL; MISS LISBON; MUSICBOX/CTLISBON; MIA SOAVE; TNSC; ABBC; GAU – GALERIA DE ARTE URBANA; CCB; HOSPITAL JÚLIO DE MATOS; PORTO EDITORA


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

41ª edição da Revista Blimunda


“Um país pode ser pobre, e é isso que somos, mas não terá de ser fatalmente mesquinho, e é isso que temos sido” - o fragmento é do discurso de José Saramago por ocasião da recepção, em 1986, do Prêmio Dom Dinis. Este é um dos destaques desta edição que traz ainda uma entrevista com Alberto Manguel, sobre as cartas disponibilizadas online pelo Instituto Moreira Salles e lembra os 150 anos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, entre outros assuntos. 

Para baixar basta ir aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Prêmio José Saramago 2015: Bruno Vieira do Amaral



Homenageando a figura do Prêmio Nobel da Literatura, José Saramago, a honraria foi criada em 1999 pela Fundação Círculo de Leitores. Afirmando-se como um dos mais importantes prêmios literários atribuídos no âmbito da lusofonia a autores com obra publicada em português, e com idade não superior a 35 anos, foram distinguidos/as em anos anteriores nomes como José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe.

O nome distinguido de 2015 foi o do português Bruno Vieira do Amaral com a obra As primeiras coisas. O escritor nasceu em Barreiro, 1978; é graduado em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, crítico literário e tradutor, assessor de imprensa no Grupo Bertrand Círculo, é o atual editor-adjunto da revista Ler. Começou por escrever no seu blog, Circo da Lama, e em 2013 publica Guia para 50 personagens da ficção portuguesa, em 2015 Aleluia!, ambos na área do ensaio. As primeiras coisas é o seu primeiro romance.

O júri composto por Ana Paula Tavares, António Mega Ferreira, Manuel Frias Martins, Nazaré Gomes dos Santos, Paula Cristina Costa e Nélia Piñon foi unânime na escolha.

Ana Paula Tavares elogiou a obra “pela sereníssima beleza da prosa, o conseguimento do conteúdo, a maturidade estética e a solidez das escolhas”; chamou o texto de Bruno Vieira de “trabalho muito original assente sobre uma geografia de camadas sobrepostas que constituem o chão do “bairro Amélia” que tão bem suporta as personagens e a memória que as sustenta”.

As primeiras Coisas é apresentado como um mosaico de personagens marginais, inesperadas, carregadas de histórias que se ligam entre si: podíamos conhecê-los a todos, não morariam muito longe de uma grande cidade. A Humanidade inteira arde no Bairro Amélia, um lugar perdido na Margem Sul do Tejo, onde a História é reconstruída por personagens que raramente aparecem na literatura portuguesa. Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crônicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, as manhãs de domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados.