Numa intervenção recente, o escritor moçambicano Mia Couto
tratou de dizer que os leitores devem substituir a celebração do autor pela
leitura da obra. José Saramago também disse certa vez que a tarefa do leitor é
a de despertar a palavra e dar vida a obra. Um e outro reconhecem a importância
da figura receptora do texto como sujeito ativo na compreensão, construção e
significação do livro. E é com esse respeito que o blog Letras in.verso e re.verso,
interessado em fomentar novos leitores (essa profissão escassa nos dias
atuais), celebra os 20 anos do romance "Ensaio sobre a cegueira".
Considerada uma das obras mais significativas da prosa contemporânea, a obra de
Saramago será apresentada (depois de um concurso que premiou um leitor com o
romance mais a adaptação conduzida por Fernando Meirelles) através de passagens
num conjunto de banners nas redes sociais do blog e através da campanha com uso da hastag #EnsaioSobreaCegueira20anos Além disso, o blog recebe textos críticos sobre o romance com vistas à publicação até o final do ano. Para saber das normais de editoração dos textos, acessa aqui.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
35ª edição da Revista Blimunda
A Blimunda chega aos três anos e a 35ª edição. Em abril, mês
de duas perdas muito próximas ao escritor português, o editorial da revista é
dedicado a esses finais que são começos, como afirmou uma vez Eduardo Galeano,
um dos grandes que partiu nos últimos dias e que nos deixará muitas saudades.
Nas Leituras do Mês, Günter Grass, Manoel de Oliveira, Galeano, François
Maspero e Herberto Helder são recordados, publicando-se também deste último um
conjunto de poemas escolhidos por Manuel Gusmão, Gustavo Rubim, Rita Taborda
Duarte, Manuel Frias Martins e Manuel Alberto Valente. Mais: a cobertura do
Festival Rota das Letras, em Macau e uma conversa com Murong Xuecun, que nos
conta como é ser um escritor na China dos dias de hoje; da The Child and Book
Conference em Aveiro este ano dedicado à análise de temas fracturantes neste
gênero literário; da 13ª edição da Festa do Jazz do São Luiz, num dossier que
inclui uma entrevista com o músico Carlos Martins, diretor artístico da Festa,
e um texto do músico Matt Pavolka que, em 2008 atuou no São Luiz apresentando
um tema composto a partir da última frase do primeiro capítulo de "Ensaio
sobre a cegueira". E a propósito do centenário da revista
"Orpheu", esse acontecimento marcante para a arte e para a literatura
do século XX, a Blimunda reproduz algumas páginas do número 3 da publicação,
que nunca chegou a ser impresso.
Para baixar a edição basta ir aqui.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Eduardo Galeano
Por José Saramago
Grande alvoroço
nas redacções dos jornais, rádios e televisões do mundo. Chávez aproxima-se de
Obama com um livro na mão, é evidente que qualquer pessoa de bom senso achará
que a ocasião para pedir um autógrafo ao presidente dos Estados Unidos é muito
mal escolhida, ali, em plena reunião da cimeira, mas, afinal, não, trata-se
antes de uma delicada oferta de chefe de Estado a chefe de Estado, nada menos
que As veias abertas da América Latina,
de Eduardo Galeano. Claro que o gesto leva água no bico. Chávez terá pensado: “Este
Obama não sabe nada de nós quase que ainda não tinha nascido, Galeano lhe
ensinará.” Esperemos que assim seja. O mais interessante, porém, além de se
terem esgotado As veias na Amazon, as
quais passaram num instante de um modestíssimo lugar na tabela de venda às
glória comercial do best-seller, de cinquenta
e tal mil a segundo na classificação, foi o rápido e parecia que concertado
aparecimento de comentários negativos, sobretudo na imprensa, tratando de
desqualificar embora num caso ou noutro com certos matizes benevolentes, o
livro de Eduardo Galeano, insistindo em que a obra, além de se exceder em
análises mal fundamentadas e em marcados preconceitos ideológicos, estava
desactualizada em relação à realidade presente. Ora, As veias abertas da América Latina foi publicada em 1971, há quase
quarenta anos, portanto, a não ser que o seu autor fosse uma espécie de
Nostradamus, só com um hercúleo esforço imaginativo seria capaz de adiantar a realidade
de 2009, tão diferente já dos anos imediatamente anteriores. A denúncia dos
apressados comentadores, além de mal-intecionada, é bastante ridícula, tanto
como o seria a acusação de que a História
verdadeira da conquista da Nova Espanha, por exemplo, escrita no século XVII
por Bernal Díaz del Castillo, abunda, também ela, em análises mal fundamentadas
e em mercadíssimos preconceitos ideológicos. A verdade é que quem pretende ser
informado sobre o que se passou na América, naquela América, desde o século XV,
só ganhará em ler o livro de Eduardo Galeano. O mal daqueles e outros comentadores
que enxameiam por aí é saberem pouco de História. Agora só nos falta ver como
aproveitará Barack Obama da leitura de As
veias abertas. Bom aluno parece ser. Bom aluno parece ser.
* A partir de O caderno 2: textos escritos para o blog. Setembro de 2008-Novembro de 2009
domingo, 12 de abril de 2015
O romance Todos os nomes, de José Saramago para o teatro
Depois de um tributo no Iberian Suite, em Washington, e da estreia da ópera As Intermitências da Morte em San Francisco, é a vez de Todos os Nomes chegar a um palco nos Estados Unidos. A partir de 10 de abril, no Quantum Theater, em Pittsburgh (Pensilvânia). A adaptação foi idealizada por Karla Boos e equipe traz para o palco a obsessão do Sr. José em busca da mulher desconhecida.
domingo, 22 de março de 2015
34ª edição da Revista Blimunda
Testemunha
de guerras e da intolerância do homem, em meados dos anos 90 o fotógrafo
Sebastião Salgado viu-se com a “alma doente”. Essa dor levou-o a criar, com a
ajuda da esposa, o Instituto Terra, replantar uma floresta, e sair pelo mundo
em busca da beleza. A Blimunda deste mês dedica várias das suas
páginas a Gênesis, o seu mais recente projeto, e ao documentário O
Sal da Terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro, autores de um retrato
íntimo do artista brasileiro.
Da 16ª
edição das Correntes d’Escritas a revista publica um extenso dossiê: uma
entrevista com o escritor cubano Leonardo Padura, uma conversa pouco
convencional com o português Manuel Jorge Marmelo e o alemão Michael Kegler, e
os textos da espanhola Clara Usón e do português Bruno Vieira Amaral.
Na seção
infantil e juvenil, uma entrevista da escritora e pedagoga brasileira Ana Maria
Machado, para além das habituais notas de rodapé e de duas novas entradas no
Dicionário de Literatura Infantil e Juvenil.
Na seção
bimestral dedicada ao Cinema, o alvo é o polêmico American Sniper, de
Clint Eastwood, obra polêmica numa Hollywood liberal.
Por fim, a
terminar, o escritor açoriano e ex-adido cultural de Portugal em Madrid, João
de Melo, assina um texto sobre a relação de José Saramago com a Espanha na
seção Saramaguiana.
Para baixar a edição basta ir aqui.
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