quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Anunciado o ano de apresentação do filme baseado no romance 'O evangelho segundo Jesus Cristo'



O texto de José Saramago terá uma leitura para o cinema pelo diretor português Miguel Gonçalves Mendes, o mesmo do documentário José e Pilar sobre a vida do escritor Prêmio Nobel de Literatura e sua convivência com a companheira Pilar del Río, atualmente presidenta da Fundação que leva o nome do escritor. Segundo cartaz apresentado na página do diretor (imagem), o filme deve ficar pronto daqui a cinco anos, isto é, em 2019. O evangelho segundo Jesus Cristo foi publicado em 1991 e esteve no epicentro de uma das maiores controvérsias envolvendo o nome de Saramago: na ocasião, além do texto ter sofrido o repúdio dos conservadores cristãos, esteve em pauta no congresso português e foi retirado à candidatura do Prêmio Literário Europeu; mais tarde a obra foi incluída no rol dos livros proibidos pelo Vaticano.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Concurso busca ilustrador para a nova edição de obra de José Saramago




Buscando incentivar artistas brasileiros ainda não publicados e homenagear a obra de José Saramago, a Companhia das Letras promove o concurso cultural que irá escolher um ilustrador para a versão digital do livro O conto da ilha desconhecida.

Para participar, preencha a ficha de inscrição e envie junto com uma proposta de ilustração baseada no conto para o e-mail concursosaramago@companhiadasletras.com.br. Uma comissão julgadora formada por ilustradores, quadrinistas, designers e artistas da Companhia das Letras irá avaliar as propostas e escolher a melhor para compor o e-book de Saramago.

Além de ilustrar O conto da ilha desconhecida, o vencedor do concurso irá receber um prêmio de R$ 2.000,00 e a obra completa de Saramago. As inscrições estão abertas até o dia 3 de novembro e o resultado será anunciado no Dia Saramago, 16 de novembro de 2014.

Leia o regulamento para conhecer todos os detalhes do concurso cultural e participe!

imagem: tela de Arthur Luiz Piza para a capa da edição impressa de O conto da ilha desconhecida, publicado pela Companhia das Letras

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Exposição “O feminino na escrita de José Saramago”



“Estou inventando mulheres ou talvez, outra forma de ser mulher”
(José Saramago)

Lena Gal, como artista plástica com larga obra dedicada à representação do feminino busca alcançar esse universo de formas femininas igualmente pintadas pela escrita de José Saramago. Tudo nasceu depois de ler o livro Retratos para a construção do feminino naprosa de José Saramago, do professor brasileiro Pedro Fernandes de OliveiraNeto; depois foi estar em contato com parte significativa da obra do Prêmio Nobel de Literatura. Esses dois encontros fez nascer na artista a necessidade de ir ao que ela chama de “essência” da representação, por um “elo forte entre as personagens saramaguianas e as da minha linguagem plástica, entre a minha pintura feminina e as mulheres reais da minha própria história de vida”.

O resultado é uma exposição inspiradora. “Identifiquei a mesma força, os silêncios, os sentidos do olhar, a intuição, o amor, a sensualidade, a denúncia de casos de violência e do assédio sexual, a cumplicidade feminina do despertar para a consciência do ser mulher, e deixei-me guiar pelo meu interior, pelo sentir este foco feminino, pelo envolvimento emocional e pelos momentos de ansiedade para, num trabalho criativo, pela forma, pela cor e pelo simbolismo dar rosto a mulheres como Blimunda, a mulher do médico entre outras mulheres/personagens tão fortes, tão sábias como tantas mulheres da vida real que encarnam o arquétipo da Grande Mãe que pinto” – lembra a artista.

Lena Gal é de S. Miguel (Açores) e a exposição “O feminino na escrita de José Saramago” é aberta ao público no dia 26 de setembro no Centro Municipal de Ponta Delgada. Na mostra, 25 telas, 21 acrílicos sobre tela e quatro desenhos produzidos num interstício de leituras: a do livro de Pedro Fernandes, a da obra de José Saramago e a da pintura. É um trabalho desenvolvido ininterruptamente há dois anos. 

Para Pedro Fernandes, estudioso da obra de José Saramago, e quem assina o catálogo da exposição, o trabalho de Lena “reúne muitas peculiaridades: não somente porque estamos diante de mãos femininas já prendadas na arte da invenção de outras maneiras de ser mulher, mas porque a artista se encontra motivada em simultâneo pela escritura [...] ensaística e pela romanesca, extraindo desse encontro figurações que são síntese e limiar de uma ação interpretativa”.

A exposição fica à disposição dos visitantes até o dia 23 de outubro.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

28ª edição da Revista Blimunda



“A história acabou, não haverá nada mais que contar”, escreveu Saramago na última linha de Caim. Em 2009, quando terminou o último romance que viu publicado, o escritor abriu um documento no seu computador e anotou: "Afinal, talvez ainda vá escrever outro livro."

O livro que Saramago estava a escrever quando, em junho de 2010, deixou de estar – como definia a morte – tem como título Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas e agora é, finalmente, dado a conhecer. É sobre a publicação da última história que Saramago quis contar que se centra a 28ª edição da revista Blimunda, no seu dossiê central. Além de um texto sobre o romance inacabado e de uma entrevista com Luiz Eduardo Soares, antropólogo e especialista em segurança pública que assina o prefácio da edição brasileira de Alabardas, alabardas, a revista traz as palavras de quatro editores envolvidos no processo de publicação do romance.

Também em destaque na edição de setembro da Blimunda o registo fotográfico de João Pina sobre a Operação Condor, aliança forjada entre os regimes militares e ditatoriais de vários países do Cone Sul da América e a CIA, nos anos 70 do século passado. O texto sobre o livro do fotógrafo português é assinado por Sara Figueiredo Costa.

Na seção Cinema, João Monteiro apresenta a segunda parte do seu artigo sobre literatura negra e cinema negro.

Andreia Brites e Sérgio Machado Letria estiveram em Beja, nas Palavras Andarilhas, de onde trouxeram uma deliciosa conversa com a escritora e pedagoga colombiana Yolanda Reyes, que há mais de trinta anos se dedica à mediação e promoção da leitura.

Para fechar a revista, a Saramaguiana recupera o manifesto de José Saramago contra a Guerra no Iraque, apresentado publicamente na Porta do Sol – Madrid, em 2003, diante de centenas de milhares de pessoas que se manifestavam contra mais um episódio de uma história feita de guerra e de barbárie.

Para baixar a revista basta ir aqui.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Não é em outubro, é em setembro



Que chega às livrarias o romance inacabado de José Saramago. Alabardas, alabardas, o romance inacabado de José Saramago encontra-se já está disponível nas livrarias da Itália. O livro contém um texto do escritor italiano Roberto Saviano e outro do espanhol Fernando Gómez Aguilera. A capa é um desenho de Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura. Este mês de setembro sairão as edições em português (Portugal e Brasil), em espanhol (Espanha e América Latina) e em catalão. Anunciou a página da Fundação José Saramago.

A edição brasileira inclui também um texto assinado pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares. Os leitores podem, por fim, conhecer a última história que o escritor quis contar. No editorial da revista Blimunda de julho, Pilar del Río, companheira do escritor, deixou mais detalhes sobre a publicação deste romance:

Com Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas acaba-se a obra de José Saramago, o homem que não queria morrer sem ter dito tudo. Talvez não seja ousadia recordar que os seus dois últimos livros,Caim e Alabardas, tratam de dois assuntos centrais na sua obra, abordados de forma explícita, para não deixar sombra de dúvida: a recusa do poder que as religiões exercem sobre as pessoas e sociedades para as anular através do medo e da proibição, o recurso à violência, tão usado em diferentes civilizações, como se não houvesse outro meio para solucionar conflitos. Em Caim, o artifício do Antigo Testamento, do fratricídio inicial ao dilúvio universal, que levará à morte todos os habitantes da terra por não haver cumprido os desígnios de Deus, em Alabardas, onde um trabalhador descobrirá, pela força das circunstâncias, que a sua laboriosidade permite que uma engrenagem odiosa continue em movimento e a marcar os mapas e as dominações. No fundo, a reflexão sobre o poder e a violência são um mesmo eixo. E sobre ele gira a obra de José Saramago.

A edição deve chegar às livrarias brasileiras no próximo dia 30 de setembro.