sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia



O livro de Horacio Ruivo incide sobre o espaço na obra literária de José Saramago. Considerada uma categoria intencionalmente privilegiada pelo escritor em muitos dos seus romances, não apenas na dimensão física, mas numa multiplicidade de sentidos emergentes a partir dos diferentes topoi apresentados, reconhece-se a existência de uma linha ascensional que reflete a forma evolutiva como vão sendo apresentados os espaços, reais ou sugeridos, em interação com as personagens, implicando nestas um forte crescimento interior. 

O texto editado pelas Edições Esgotadas explora as dimensões humana e simbólica do espaço. A cada uma destas dimensões é associada, respectivamente, a memória e a violência, ambas importantes linhas de forças na obra saramaguiana. A memória revela-se como um espaço determinante na formação da consciência individual e coletiva: a memória individual visa recuperar do passado a essência daquilo em que o ser humano se vem a tornar; a memória coletiva surge pela necessidade de resgatar momentos do passado histórico que foram intencionalmente eliminados do discurso canônico. Por seu turno, a violência surge associada a espaços – menos físicos do que simbólicos – e constitui-se como metáfora da sociedade, espaço onde o ser humano é frequentemente desrespeitado ou induzido a um estado de apatia que o impede de se afirmar e realizar.

A partir de cinco romances analisados, A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia procura sustentar a tese segundo a qual o espaço, em Saramago, evolui da negatividade para uma dimensão de utopia, surgindo a negatividade refletida na forma como o autor nos apresenta o espaço inicial, no qual a movimentação das personagens parece contagiada por uma carga negativa que as condiciona; desse espaço emanam, contudo, forças que fazem germinar nas personagens a consciencialização do caos em que se encontram e as impelem à busca de um outro espaço, de utopia, onde seja possível (re)viver.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

57ª edição da Revista Blimunda



Entre os destaques da Blimunda de fevereiro estão as palavras de António Jorge Gonçalves e de Filipe Lopes – ambos, ilustrador e mediador de leitura, com uma voz própria no panorama cultural português. No caso do primeiro, na área da ilustração, do desenho e da performance ao vivo, no caso do segundo com o projeto "A poesia não tem grades", que leva a literatura, a poesia, às comunidades de reclusos das prisões portuguesas. 

Na seção infantil e juvenil, destaque para as exposições "3 ao cubo», que no âmbito de Lisboa – Capital Ibero-Americana de Cultura, levam o trabalho de seis ilustradores a três das bibliotecas da cidade de Lisboa.

Fecha a edição, a Saramaguiana que desta vez traz as palavras de José Saramago sobre Literatura, retiradas do livro José Saramago nas suas palavras, obra organizada por Fernando Gómez Aguilera e uma ferramenta absolutamente fundamental para perceber o pensamento do Prêmio Nobel português.

Para baixar a edição, clica aqui


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A edição n.5 da Revista de Estudos Saramaguianos está online



Este número da RES reúne trabalhos de leitores da obra de José Saramago do Brasil, Colômbia e Argentina. Integram este número, textos sobre a poesia do escritor português – O ano de 1993 (María Victoria Ferrara, Fernângela Diniz Silva e José Leite Jr.), Os poemas possíveis (Rodrigo Conçole), sobre A jangada de pedra (Carlos Pazos-Justo), sobre a produção memorialística saramaguiana (Eula Pinheiro), sobre Viagem a Portugal (Daniel Cruz Fernandes), História do cerco de Lisboa (Maria Carolina de Oliveira Barbosa), sobre Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas (Jorge Luís Verly Barbosa e resenha de Antonio Arenas Berrío). 

São dois volumes – um em língua portuguesa e outro em língua espanhola – disponíveis gratuitamente na web