quarta-feira, 20 de julho de 2016

50ª edição da Revista Blimunda



«O viajante viajou no seu país. Isto significa que viajou por dentro de si mesmo, pela cultura que o formou e está formando», aponta José Saramago em Viagem a Portugal. Nesse livro publicado em 1981, o escritor se coloca na pele de um viajante que percorreu o seu país a fim de descobri-lo e descobrir-se. Para isso, permite perder-se, demorar-se, conhecer pessoas e histórias, e andar por lugares cujos guias turísticos não conhecem.

A revista deste mês, através das palavras de Pilar del Río, revisita esse título de José Saramago. «O olhar delata o viajante nas suas opções, nas suas emoções e nos seus desgostos. O viajante não necessita de se explicar para estar explicado, e é por isso que este livro, que é uma viagem a Portugal, é também uma viagem a Saramago. Ainda que o autor não fale de si, ainda que não apareça nenhum dado pessoal, Viagem a Portugal é o retrato possível do homem que escreve e do país escrito», escreve a presidenta da Fundação José Saramago.

Neste número a Blimunda fez um passeio pelo universo das feiras de edição independentes e alternativas, como tradicional Feira Morta de Lisboa, e também percorreu o mundo dos livros Pop-Ups a partir de uma exposição patente na Biblioteca Nacional de Portugal. A revista foi até Proença–a-Nova para conhecer a biblioteca itinerante, um projeto que completa dez anos de existência. E visitou o traço de Eduardo Fonseca, jovem pintor brasileiro que neste mês de julho expõe o seu trabalho no Centro Cultural de Belém.


Ainda há espaço para conhecer os livros de António Mega Ferreira e para o texto ficcional da escritora Andréa Zamorano. «A felicidade, fique o leitor sabendo, tem muitos rostos. Viajar é, provavelmente, um deles», escreve José Saramago no final da Viagem a Portugal. Viajemos, pois, por esta Blimunda. Boas férias e bom verão, até Agosto!

© Fundação José Saramago

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Crônica de José Saramago ganha ilustrações e edição independentes


Livro será apresentado em Portugal durante o Festival de Óbidos. Processo semelhante aconteceu com o infantil “O silêncio da água”, que recebeu ilustrações de Manuel Estrada e foi publicado em 2011. O texto de ‎Saramago “O lagarto” integra o livro A bagagem do viajante, de 1972, e é de fácil acesso ao leitor brasileiro através da edição publicada pela Companhia das Letras. Situado entre o universo dos contos de fadas e o da literatura fantástica, “O lagarto” recebeu ilustrações do brasileiro José Francisco Borges. A ideia nasceu de um editor argentino, que vive há muitos anos em Barcelona, Alejandro García Schnetzer, o mesmo que fez vingar a ideia para “O silêncio da água”. Em Portugal, durante o lançamento em setembro será aberta uma exposição com as xilogravuras de Borges. Ainda não há previsão de publicação do livro no Brasil. 


sábado, 18 de junho de 2016

49ª edição da Revista Blimunda



Há quatro anos, numa tentativa de preencher um pouco o enorme vazio deixado pela ausência de José Saramago, nasceu a revista Blimunda. Desde aquele 18 de junho de 2012, oferecemos mensalmente aos nossos leitores uma publicação que tem os livros como protagonistas, mas que também dá destaque a muitos outros assuntos que envolvem a cultura, não só em Portugal mas também em muitos outros países.

Nos 49 números já editados, a revista viajou para lugares como Bogotá, Macau, Xalapa, Barcelona, Madrid, Segóvia, Lanzarote, Ponta Delgada e Cidade do México. Abordou assuntos tão diversos como música, futebol, dança, fotografia, artes plásticas, exposições, viagens, cinema. Nas suas páginas dedicou-se espaço a grandes nomes da literatura universal como Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar, Jorge Amado, Clarice Lispector, Günter Grass, Herberto Helder, Eduardo Galeano, Miguel de Cervantes, Fernando Pessoa, Alberto Manguel, Mempo Giardinelli, Sophia de Mello Breyner e Agustina Bessa Luís. 

As novas gerações tiveram lugar de destaque ao longo destes quatro anos. Entre muitas e muitos outros, tivemos connosco Bruno Vieira Amaral, Matilde Campilho, Juan Gabriel Vásquez, Andrea del Fuego, Ricardo Araújo Pereira, Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, Julián Fuks, Ondjaki e Sérgio Rodrigues. A Blimunda foi também espaço para conversas com fotógrafos, editores, realizadores, ilustradores, críticos literários, investigadores e personalidades das mais variadas áreas numa perspetiva de construção de um mosaico da cultura do passado e do presente.

Desde o número 1 a revista reserva uma secção especial, a Saramaguiana, ao escritor que, entre tantas outras personagens, criou a protagonista de Memorial do ConventoBlimunda, a valente e encantadora mulher que colecionava vontades e via o interior das pessoas, tornou-se também revista.

Nesta edição comemorativa, que chega no dia em que passam seis anos sobre a morte de José Saramago, publica-se uma entrevista, inédita em português, que Pilar del Río, companheira e tradutora de José Saramago, fez ao escritor no ano 2000, e também o artigo "José Saramago, editor de Raul Brandão?", de Vasco Rosa. 

Do Brasil a revista traz ilustrações de Sama e outros artistas que se posicionam contra a destituição da presidenta Dilma Rousseff e contrários ao governo de Michel Temer. 

A também brasileira Marina Colasanti conversa com a Blimunda sobre a sua longa e destacada trajectória pelo universo do livro infantil. 

Blimunda visitou ainda a biblioteca de Laborinho Lúcio e o escritório da editora D. Quixote. A escritora Andréa Zamorano publica um conto breve na secção A Casa de Andréa.

Quatro anos depois, a revista Blimunda continua viva e com projectos para o futuro. 

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terça-feira, 24 de maio de 2016

48ª edição da Revista Blimunda



Uma das características da época atual é a efemeridade. Como afirma o sociólogo polaco Zigmunt Bauman, “vivemos tempos líquidos”. Por isso, a sobrevivência, por décadas, de projetos culturais é motivo de celebração. 

Nesta edição de maio, a Blimunda conversou com Tiago Gomes, editor da Bíblia, publicação criada em 1996 e que nestas duas décadas de vida venceu desconfianças, crises e as dificuldades naturais que uma pequena publicação enfrenta. Igualmente louvável é a existência, já há 50 anos, do programa de rádio Cinco Minutos de Jazz. Além de conversar com José Duarte, autor e voz do programa desde a sua primeira emissão, a Blimunda escutou alguns importantes nomes deste gênero musical sobre a importância do histórico programa.

A revista visitou também a Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada e de lá trouxe histórias e imagens que fazem viajar no tempo e ajudam a contar a história daquela ilha portuguesa.

Há ainda muitos outros destaques. Andrea Zamorano ocupa a sua seção mensal com um conto ambientado no Rio de Janeiro. Miguel Horta mostra os seus Livros do Desassossego. A editora Oficina dos Livros abre as suas portas para uma visita guiada. Na seção Saramaguiana recuperamos um texto de Mário Castrim, escrito em 1974, sobre José Saramago, que já à época e nas palavras de Castrim «não necessita de apresentação».


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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Minicurso sobre o feminino na literatura de José Saramago



A Faculdade de Letras e Artes (FALA) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, por meio do Departamento de Letras Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, promovem o minicurso “Projeções acerca do feminino na literatura de José Saramago”, a ser ministrado pelo professor Dr. Pedro Fernandes de Oliveira Neto, nos dias 16 e 17 de maio de 2016, das 18h50 às 22h15, no Auditório da Faculdade de Serviço Social (FASSO), no Campus Central, Mossoró (RN). 

As inscrições podem ser feitas no Departamento de Letras Vernáculas (manhã e noite).

José Saramago é um dos escritores mais importantes de Língua Portuguesa da atualidade, sendo também, até o presente, o primeiro e único escritor de origem lusitana a ser laureado com o Prêmio Nobel (1998).


A crítica e o próprio José Saramago expuseram por via diversa as formas como o tema do feminino constitui-se numa expressão recorrente na construção das representações ensejadas por uma obra interessada em revalidar um lugar caro à expressão literária – o de ser uma aguda crítica aos discursos deterministas e aos modelos culturais, sociais e históricos impostos pelo pensamento ocidental dominante. O objetivo do curso ora apresentado é o de compreender, pela reflexão da crítica literária, como o escritor projetou e construiu um imaginário diverso e singular sobre a figura feminina; imaginário que é num só tempo representação e reinvenção dos modos de ser e estar no mundo. A partir da visita a alguns lugares sobre o conjunto da obra (poesia e teatro), propomos algumas linhas sobre a gênese dessa obsessão e sua constituição no âmbito da prosa romanesca. No fim, o que oferecemos é uma via de contato para uma das produções literárias de língua portuguesa desde então fundamentais para a reflexão sobre uma contemporaneidade espectral e diversa.

Pedro Fernandes é professor na Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA); Doutor em Estudos da Linguagem com área de concentração em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGeL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Mestre em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN); e Graduado em Letras com habilitação em Língua Portuguesa pela Faculdade de Letras e Artes (FALA) por essa mesma instituição. Membro do Grupo de Estudos Críticos da Literatura (GECLIT). É coeditor da Revista de Estudos Saramaguianos e do caderno-revista 7faces. É autor de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (ensaio acadêmico, Editora Appris, 2012) Sertanices (poesia, inédito) e do e-book Palavras de pedra e cal (poesia, edição independente).