sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Boletim #4



Foram feitas as primeiras atualizações na página Um caderno para Saramago. Entre as novidades está a transcrição de inédito do escritor português: um crônica intitulada "É tempo..." e publicada pela primeira vez em janeiro de 1956, no suplemento de um jornal português da época, O Benfica. A crônica foi redescoberta ao darmos com uma edição da Revista Colóquio/Letras publicada um ano depois do Prêmio Nobel, isto é em 1999, e trata de um dossiê em torno da obra do escritor português. Aliás, o número em questão aparece referendado no projeto no menu Sobre a obra > revistas. A crônica pode ser lida em Dispersos > Do escritor > Crônicas.

Outra novidade foi um vídeo publicado no canal Letras in.verso no Youtube com recortes de entrevistas raras concedidas pelo escritor, em anos como 1987, 1995, à volta disso. Para assistir essa novidade basta acessar Galeria > Vídeos.

No mais, no menu Sobre a obra > Artigos e ensaios foram acrescidos em torno de 20 novos textos com leituras específicas para a obra do escritor português; em Dispersos > Do escritor > Contos foi transcrito o conto "O centauro", texto incluído na antologia Objecto quase e que teve leitura recentemente para o jornal The Guardian pela escritora sul-africana Nadine Gordimer. 

Tenhamos todos o bom 2013. E para discutir os materiais aqui publicados, basta acessar e pedir que seja incorporado ao grupo de discussão Um caderno para Saramago no Facebook, por aqui.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Boletim #3

Loredano. Caricatura de José Saramago.
Já algum tempo vínhamos colecionando caricaturas produzidas em torno de José Saramago porque desde este tempo pensamos num espaço, dentro da galeria de imagens, n'Um caderno, para sua exposição. Realizamos a ideia. E esta é só uma das novidades em torno do projeto, que recebeu, várias atualizações, as últimas deste 2012 já no seu fim.

Para ver a galeria Caricaturas basta ir no menu Galeria, depois em Imagens > Caricatura. Também adicionamos um conjunto de imagens cuja mostra foi dada no blog Letras in.verso e re.verso por ocasião dos 90 anos do escritor e dos 35 anos da 1ª edição de Memorial do convento: imagens de por volta 1984, em Mafra, época em que se publicou o referido romance. Estas imagens estão abrigadas em Imagens > Galeria Memorial a José. Ainda foram acrescidas imagens na Galeria José Saramago e personalidades.

No menu Sobre a obra > Artigos e ensaios foram publicados aproximadamente vinte novos textos com diferentes abordagens em torno da obra de José Saramago. Em Sobre a obra > Dissertações foram publicadas duas novas dissertações produzidas no Brasil que localizamos a partir dos portais de suas respectivas universidades.

Voltando ao menu Galeria acrescentamos em Links atalhos para a revista da Fundação José Saramago, Blimunda, para o blog comemorativo dos 90 anos do escritor e o blog para o livro do professor Pedro Fernandes, publicado neste ano, Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Editora Appris, 280 páginas). 

Para ir ao Um caderno e conferir estas novidades, clica aqui.

Grupo no Facebook para José Saramago

Por fim, relembramos da ideia que colocamos na web por esses dias como extensão do Projeto Um caderno para Saramago, um grupo de discussões criado no Facebook, e que pode ser acessado aqui.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

7ª edição de Blimunda




Somos a memória que temos,
sem memória não saberíamos quem somos.

José Saramago

A Blimunda 7, segundo número com concepção gráfica de Jorge Silva/Silva Designers, chega com o seu tema de capa dedicado à Memória, a memória de que necessitamos para sabermos quem somos. E, com as palavras de Sara Figueiredo Costa, a memória na Blimunda revisita Istambul e o Museu da Inocência, casa dos objectos elencados na obra homónima de Orhan Pamuk. Mas a memória faz-se também daqueles que desapareceram. Visitámos um cemitério de Lisboa e através das imagens de Sílvia Moldes traçamos um roteiro pelas memórias daqueles que todos os anos, a 1 de novembro, aí se dirigem para homenagear os que, mesmo que apenas fisicamente, já não estão entre nós. E se por ordem do Governo da República Portuguesa o dia 1 de novembro deixará, em 2013, de ser feriado nacional, esta é, também, uma afirmação política.

No infantil e juvenil, Andreia Brites revisita a tradição através de dois livros recentemente publicados que fazem pontes com a tradição ancestral das histórias que todos conhecemos.

 © Fundação José Saramago

Para baixar, vá aqui.

Uma extensão d'Um caderno

Com a visão de ampliar ainda mais as formas de acesso e de contribuição para o andamento do Projeto Um caderno para Saramago, do qual este hotblog firma-se como uma alternativa, criou-se no Facebook, não uma página de fãs, mas um grupo de discussões. O objetivo dessa criação é promover um melhor intercâmbio entre os leitores da obra de José Saramago bem como ser um lugar para compartilhamento de novidades que possam ser depois locadas no projeto.

O grupo é público e qualquer um pode ingressar acessando aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

14 anos da recepção do Prêmio Nobel por José Saramago

por Fernando Gómez Aguilera* 

José Saramago e Pilar del Río em cerimônia de recepção do Prêmio Nobel de Literatura em 1998.


No dia 10 de dezembro, por ocasião do banquete oferecido aos prêmios Nobel de 1998, após a entrega oficial da medalha, o escritor dedicou seu discurso à denúncia da falta de cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos por parte dos governos, coincidindo com o quinquagésimo aniversário da Carta. Sem dúvida, um gesto que enfatiza seu interesse em colocar o assunto em um lugar relevante de sua agenda crítica, mas também em transmitir sua preocupação com a vulnerabilidade e a miséria em que se desenvolve a vida de milhões de pessoas, diante da passividade do mundo.

Para Saramago, os direitos humanos constituíram um binômio inseparável dos deveres humanos e representavam a outra face da moeda da democracia. Deslocando a questão da grave falta de atenção para com a Declaração para a responsabilidade dos indivíduos e das instituições, ele assinalava que a satisfação de nossas obrigações éticas exigiria fazer frente às dilacerantes consequências da insolidariedade, da desigualdade, da injustiça e da privação de liberdades existentes nos cinco continentes, sob graus e formas diferentes.

O autor de Objecto quase dirigiu suas críticas, especialmente às autoridades, por sua hipocrisia, mas também aos cidadãos, cujo silêncio cúmplice ele desaprovava, instando-o, ao mesmo tempo, a se rebelar diante do sofrimento, a abandonar a indiferença. Saramago expôs sua beligerância contra uma situação de fracasso que julgou calamitosa e incongruente com a desejável dignidade das democracias ocidentais. Defendeu, por isso, a ideia de que a globalização neoliberal é incompatível com os direitos humanos, como provaram a fome, a exclusão, as desigualdades, a dominação e a violência que castigam o mundo.

De modo proativo, sugeria à esquerda que a orientação de qualquer programa político progressista já estava contida na Declaração, que, se executada, seria em si mesma um projeto suficiente de garantias e de restauração da justiça. A regeneração da democracia e o respeito aos direitos humanos constituem, na sua avaliação, os dois objetivos estratégicos deste século para a humanidade.


Leia AQUI o discurso feito por Saramago no Jantar do Palácio Real, no dia 10 de dezembro de 1998, ocasião de recepção do Prêmio Nobel de Literatura.


* SARAMAGO, José. As palavras de Saramago - catálogo de reflexões pessoais, literárias e políticas. Organização e seleção de Fernando Gómez Aguilera. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.