quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Uma extensão d'Um caderno

Com a visão de ampliar ainda mais as formas de acesso e de contribuição para o andamento do Projeto Um caderno para Saramago, do qual este hotblog firma-se como uma alternativa, criou-se no Facebook, não uma página de fãs, mas um grupo de discussões. O objetivo dessa criação é promover um melhor intercâmbio entre os leitores da obra de José Saramago bem como ser um lugar para compartilhamento de novidades que possam ser depois locadas no projeto.

O grupo é público e qualquer um pode ingressar acessando aqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

14 anos da recepção do Prêmio Nobel por José Saramago

por Fernando Gómez Aguilera* 

José Saramago e Pilar del Río em cerimônia de recepção do Prêmio Nobel de Literatura em 1998.


No dia 10 de dezembro, por ocasião do banquete oferecido aos prêmios Nobel de 1998, após a entrega oficial da medalha, o escritor dedicou seu discurso à denúncia da falta de cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos por parte dos governos, coincidindo com o quinquagésimo aniversário da Carta. Sem dúvida, um gesto que enfatiza seu interesse em colocar o assunto em um lugar relevante de sua agenda crítica, mas também em transmitir sua preocupação com a vulnerabilidade e a miséria em que se desenvolve a vida de milhões de pessoas, diante da passividade do mundo.

Para Saramago, os direitos humanos constituíram um binômio inseparável dos deveres humanos e representavam a outra face da moeda da democracia. Deslocando a questão da grave falta de atenção para com a Declaração para a responsabilidade dos indivíduos e das instituições, ele assinalava que a satisfação de nossas obrigações éticas exigiria fazer frente às dilacerantes consequências da insolidariedade, da desigualdade, da injustiça e da privação de liberdades existentes nos cinco continentes, sob graus e formas diferentes.

O autor de Objecto quase dirigiu suas críticas, especialmente às autoridades, por sua hipocrisia, mas também aos cidadãos, cujo silêncio cúmplice ele desaprovava, instando-o, ao mesmo tempo, a se rebelar diante do sofrimento, a abandonar a indiferença. Saramago expôs sua beligerância contra uma situação de fracasso que julgou calamitosa e incongruente com a desejável dignidade das democracias ocidentais. Defendeu, por isso, a ideia de que a globalização neoliberal é incompatível com os direitos humanos, como provaram a fome, a exclusão, as desigualdades, a dominação e a violência que castigam o mundo.

De modo proativo, sugeria à esquerda que a orientação de qualquer programa político progressista já estava contida na Declaração, que, se executada, seria em si mesma um projeto suficiente de garantias e de restauração da justiça. A regeneração da democracia e o respeito aos direitos humanos constituem, na sua avaliação, os dois objetivos estratégicos deste século para a humanidade.


Leia AQUI o discurso feito por Saramago no Jantar do Palácio Real, no dia 10 de dezembro de 1998, ocasião de recepção do Prêmio Nobel de Literatura.


* SARAMAGO, José. As palavras de Saramago - catálogo de reflexões pessoais, literárias e políticas. Organização e seleção de Fernando Gómez Aguilera. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Homenagens em torno do nome José Saramago



Em todo o mundo desde outubro passado já se celebrava os 90 anos do escritor que, mesmo depois de sua morte há 2 anos, é um dos mais lembrados por todos dia após dia. 

O mentor do projeto Um caderno para Saramago, o professor Pedro Fernandes, foi um dos que entrou, através de seu blog pessoal, o Letras in.verso e re.verso, no rol das comemorações virtuais pelo Dia do Desassossego, data instituída pela Fundação José Saramago e a ser celebrada todo o dia 16 de novembro. 

Durante todo esse dia, foram publicados recortes como este que ilustra este post com frases do romance Memorial do convento, que este ano fecha 30 anos de sua primeira edição. As imagens foram produzidas para o Facebook e integram já outra atividade de promoção criada para web e sobre a qual divulgamos aqui algum tempo, que é a criação de banners com dizeres fidedignos do escritor português. O gesto é também uma contenda contra a disseminação de falsas citações atribuídas a Saramago, prática corriqueira contemporaneamente. 

O resultado do material produzido pode ser visto acessando o álbum disponibilizado na fan page do Letras in.verso e re.verso, aqui.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

6ª edição de Blimunda




Já no seu sexto número, a revista digital da Fundação José Saramago veste a imagem dos 90 Anos de José Saramago e dedica o seu número de novembro ao Escritor. Publicada regularmente ao dia 18 de cada mês, quebramos essa regra publicando este número com um dia de atraso. Tal facto deve-se a uma revolução gráfica na revista, aspiração que tínhamos desde o início, a de valorizar a Blimunda também pelo lado visual. Para que tal se tornasse uma realidade, contamos com o trabalho de Jorge Silva/Silva Designers que, a partir deste número, assume o design e paginação da revista.

Os conteúdos deste número são quase na íntegra dedicados a José Saramago, pelos seus 90 Anos. O dossier central recebe textos de Harold Bloom, Mario Benedetti, Manuel Gusmão, James Wood, Luciana Stegagno Picchio, Carlos Fuentes, John Updike, Juan Cruz e Eduardo Lourenço, acompanhados pelas ilustrações que compõem a exposição que pode ser visitada na Casa dos Bicos, na Estação do Metro "Aeroporto" e na Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias. Presentes neste dossier estão também as 90 Palavras, que nos foram enviadas por leitores de Saramago das mais diversas origens geográficas.

Na secção infantil e juvenil, Luísa Ducla Soares e Andreia Brites escrevem sobre a obra infantil de José Saramago, através de um percurso biográfico do Autor e de uma análise mais profunda à obra A Maior Flor do Mundo. Presentes nas páginas da revista estão, como habitualmente, as secções "Leituras do mês" e "De relance", assinadas por Sara Figueiredo Costa, que neste número nos leva a Castelo Branco e à primeira edição do Festival Literário daquela cidade beirã.

© Fundação José Saramago

Para baixar, vá aqui



terça-feira, 13 de novembro de 2012

16 de novembro - Dia do Desassossego

A Fundação José Saramago pela passagem do dia 16 de novembro, data de celebração dos 90 anos do escritor, institui o Dia do Desassossego. Por ocasião lançou um manifesto em que convoca todos os cidadãos de Lisboa (Portugal) a saírem às ruas por esta data a levarem consigo o livro O ano da morte de Ricardo Reis.

O romance em questão perlabora a existência do heterônimo de Pessoa célebre pela frase "Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo"; frase que quer ser vivida pelo seu contrário, porque em Saramago tudo era urgência.

Ainda por ocasião da data, a Fundação disponibilizou um blog vinculado ao seu site (que pode ser visto aqui) para divulgação de todas as ações em decorrência do aniversário de Saramago ao redor do mundo.

Abaixo, reproduzimos o manifesto.