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domingo, 2 de setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Novo livro em torno da obra de José Saramago
Já foi disponibilizado para pré-venda o livro do professor
Pedro Fernandes de Oliveira Neto, Retratos para a construção do feminino
na prosa de José Saramago. O livro é resultado de uma investida de dois anos de
pesquisa que resultou na sua dissertação de mestrado, defendida no âmbito do
Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do
Norte.
Apesar disso, o autor garante que o que agora se publica é
mais do que foi escrito por ocasião da defesa. "O que tinha de dissertação
sobrou apenas no tema, porque todo o itinerário foi recomposto: entraram as
considerações feitas pela banca no dia de defesa e com mais atenção aos tais
conselhos, entraram muitas das notas que fiz e que não foram incorporadas ao
texto inicial, os títulos foram refeitos, e enfim, espero que esteja um
trabalho a altura do que procura o leitor" - escreveu ontem (26) no
seu blog, o Letras in.verso e re.verso, num texto que dá contas do anúncio
oficial da empreitada, que já há algum tempo também, naquele mesmo espaço, já
havia sido feitas considerações em torno do livro.
Editado pela curitibana Appris, o livro já pode ser adquirido
através loja virtual da editora (aqui) sem custos de frete. No mesmo post publicado ontem, Pedro anunciou
o lançamento on-line de um blog que cumprirá o itinerário de acompanhar todas
as informações em torno do livro, como os lançamentos. Também nesse espaço virá
a lume notas compostas do período em que escrevia a dissertação, algumas já
publicadas no Letras in.verso e re.verso numa coluna que se chamou Diário de
Bordo.
Atualmente Pedro cursa doutorado pelo Programa de
Pós-Graduação em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande
do Norte.
sábado, 18 de agosto de 2012
90 anos, 90 palavras
A Fundação José Saramago deu largada hoje, 18 de agosto, a celebração para os 90 anos do escritor português. A exatos 90 dias para que chegue o dia de seu aniversário, 16 de novembro, a instituição quer que cada dia seja assinalado com uma palavra e um breve comentário sobre essa palavra. As propostas estão abertas através das redes sociais (Twitter, Facebook da Fundação, Facebook 1 milhão de Saramagos).
A primeira palavra escolhida foi BLIMUNDA, nome da protagonista de Memorial do convento. Como mantenedor desse espaço e do Projeto Um caderno para Saramago já assinalei por lá (Facebook) a minha; está aqui:
3ª edição de Blimunda
Não se comemora o centenário de um escritor, celebram-se os
cem anos de vida de um ser humano que a qualquer momento pode aparecer numa
esquina, com uma camisa branca, ou talvez de flores, com um gesto tão aberto
que nele podem continuar a refugiar-se gerações de pessoas, com uma
incorruptível amizade, a mesma que o fez cruzar um século sempre acompanhado,
tão confortável na sua pele como na sua relação com outros, sempre seus
semelhantes. Porque Jorge Amado era dessa estirpe “graças a Deus”, como diria Zélia
Gattai quando se definiu a si mesma como anarquista por influência divina.
Jorge Amado e José Saramago poderiam ter tido uma relação
mais dilatada no tempo. Teria bastado que Saramago desse o pequeno passo que o
aproximaria do grande escritor brasileiro num tempo em que o mundo era jovem,
mas o sentido do respeito devido ao mestre levou a que o português seguisse o
seu caminho e esperasse que um dia, talvez, acontecesse o que tivesse de
acontecer. E assim foi. Saramago não se mostrou perante Jorge Amado de mãos
vazias, quando chegou à sua presença e amizade levava – simbolicamente, claro –
uns quantos livros que justificavam que ambos se encontrassem e se tratassem
por tu. Puderam fazê-lo, fizeram-no e profundamente, porque se a relação entre
o escritor da Bahía e o do Ribatejo não abarcou mais de uma década, foi
suficientemente intensa para que se contassem medos e projetos, sonhos por
realizar, aventuras que ficariam por viver e outras bebidas até à última gota.
Os dois escritores conversaram sobre política e paixões, dificuldades e logros,
por vezes com picardia, por vezes com uma seriedade quase doutoral que
rematavam com uma gargalhada, e daquelas conversas ficam ecos que alguns amigos
de vez em quando recompõem aos pedaços. Que pena que a grande Zelia Gattai não
esteja aqui para documentar, com a sua prosa fresca e lúcida, aqueles encontros
na Bahía, em Paris, Roma, Madrid e Lisboa, aquelas viagens pela Galiza ou pelo
norte de Itália, aqueles projetos de contruir pontes sobre rios e mares, sobre
oceanos, talvez entre planetas se ali existir o cheiro a canela, que é o cheiro
da vida que eles tanto amaram, os três, Jorge e Zélia, José.
Começa agora o ano de Brasil-Portugal. A Fundação José
Saramago entra em pleno nesta aproximação porque nasceu também para isso.
Celebrar os anos de Jorge Amado no seu dia, no seu mês, é o primeiro passo.
Depois virão outras atividades em que se irá contando que os seres humanos não
passam, ficam, são imortais enquanto haja quem os recorde e festeje. Com
dignidade, lucidez e emoção.
No enterro de José Saramago recordou-se Jorge Amado, o
momento em que o avião em que o casal Amado-Gattai viajava teve de fazer uma
aterragem de emergência. Então, Jorge, que tinha pânico de voar, pôs-se a pedir
aos gritos o jornal, ante o espanto de Zelia: “Mas Jorge, vamos morrer e tu
pões-te a pedir o jornal?” “Queres que morra sem saber o que passa no mundo?”,
foi a resposta do marido. Pois se no enterro de José Saramago se recordou esse
facto para dizer que no mundo, segundo os jornais, o que se havia passado era
que tinha morrido um homem bom, um imprescindível, hoje pode acrescentar-se que
os meios de comunicação, as livrarias, as bibliotecas contam nestes dias de
agosto que um grande escritor está em festa de aniversário e nós com ele. Que
não se foi, por isso, contrariando o jornal mexicano La Jornada que escrveu em manchete
quando o escritor do Brasil morreu “Adiós, Amado”, hoje, na Fundação José
Saramago o que dizemos, e connosco os que visitam a exposição e leem os seus
livros é “Olá, Amado”.
© Fundação José Saramago
Para baixar, vá aqui
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Chega a edição brasileira de "José e Pilar: conversas inéditas", de Miguel Gonçalves Mendes
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| O livro tem lançamento marcado para o dia 8 de agosto, mas já está em pré-venda |
No filme José e Pilar, o diretor Miguel Gonçalves Mendes
apresentou ao público um Saramago desconhecido. Acompanhando seu dia a dia,
revelou a intimidade de um dos mais fascinantes escritores da língua
portuguesa.
Neste José e Pilar: conversas inéditas, Miguel reuniu
entrevistas realizadas durante o período em que conviveu com o autor e sua
esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río. São depoimentos sinceros e
comoventes sobre trabalho, arte, morte e, é claro, o amor de um pelo outro.
Quem dá a chave para as entrevistas é a própria Pilar. "Acho que poucos
escritores, e isso quem o leu com atenção e o conhece perceberá, são tão eles
em sua obra. Há poucas diferenças entre o autor do livro, a voz do narrador e o
que expressa o livro." Assim, estão presentes nas conversas o humor
desconcertante de Saramago, o conhecido ritmo de suas frases e, sobretudo, o
mesmo universo que a ele interessou durante toda a carreira.
Essa visão de mundo particular, tão impressa em sua obra,
aparece aqui em momentos inesperados: quando o autor fala de um sonho que teve
na infância ou repara na paisagem durante um passeio de carro. Ou ainda quando
interrompe um depoimento de Pilar para observá-la sendo entrevistada.
Mas, se realmente não há distância entre o Saramago escritor e o José deste
livro, isso fica ainda mais claro quando ele se volta à política e à religião,
temas que sempre o acompanharam. Com um olhar crítico e ferino, revê episódios
polêmicos de sua trajetória e defende uma vida livre "dessa superstição
paralisante" que seria a crença em Deus.
Embora implacável em suas posições, o que se destaca nas
conversas é o olhar compassivo com o mundo, a crença genuína na liberdade. O
homem que queria morrer "lúcido e de olhos abertos" surge aqui,
enfim, como alguém que seguiu o conselho que ele mesmo costumava dar a jovens
escritores: "Não tenhas pressa e não percas tempo".
© Companhia das Letras
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