sexta-feira, 15 de julho de 2011

Caderno-revista 7faces faz lançamento de edição especial sobre José Saramago




Numa sessão realizada ontem, 14 de julho de 2011, no Auditório da Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, em Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil, foi lançada uma edição especial do caderno-revista 7faces. A sessão que teve início ainda pelas 18h, no hall da biblioteca, ao som fabuloso do grupo de músicos do Projeto ECOARTE, foi realizada em parceria com o lançamento de outra revista eletrônica: a Cruviana. Com gravação do programa Pedagogia da Gestão para a TV a Cabo de Mossoró (TCM), o desfecho desse momento se deu com um agradável bate-papo entre Pedro Fernandes (professor e editor da 7faces), Jotta Paiva (jornalista e editor da Cruviana), Clauder Arcanjo (professor, poeta e editor da Sarau das Letras), Ivanúcia Lopes (jornalista, blogueira e autora de um dos textos publicados na edição da Cruviana), Esdras Marchezan (professor) e Anchieta Rolim (artista plástico). Tudo regado aos versos do poeta Antonio Francisco.

O número da 7faces apresentado marca um desvio no curso do caderno-revista, cuja preocupação está em publicar poesia. A edição ora lançada é acadêmica. Mas, como tudo tem justificativa, o desvio aí operado foi por uma boa causa.

"Desde junho de 2010, quando da morte do escritor José Saramago, uma série de ideias me veio à cabeça no intuito de, como leitor da sua obra, ampliar a solidificação do pensamento daquele que, particularmente, considero o maior escritor em Língua Portuguesa depois de Fernando Pessoa. Influenciado, certamente que fui, pela leva de cadernos especiais que jornais do mundo inteiro produziram em torno da biografia e da obra do escritor português, a primeira desta série de ideias foi também a organização de um material semelhante. É verdade que, o interesse em organizar um número acadêmico, fosse revista, fosse livro, surge mesmo quando depois de setembro de 2008 voltei do XXII Congresso Internacional de Professores de Literatura Portuguesa. Desde então, a ideia foi gestada e se concretiza na elaboração de um número da 7faces. Como, ressalto, o interesse do caderno-revista é o da poesia, logo pensei, por que não uma edição acadêmica sobre a face menos conhecida – principalmente cá no Brasil – do José Saramago: a do poeta. O desafio estava lançado." - diz Pedro Fernandes

Durante esse intervalo de um ano as outras ideias foram ganhando forma e se apresentando como amálgamas para essa ideia maior. É daí, por exemplo, que nasce o projeto-blog Um caderno para Saramago, os cursos Diagnósticos do presente em José Saramago, Chico Buarque e Jorge Reis-Sá e Um universo de José Saramago – paisagens e o concurso Uma página para Saramago. "Tudo intercalado por um dos momentos mais significativos da minha carreira acadêmica, até agora, que foi a escrita de minha dissertação de mestrado que, adivinhem, versava também sobre José Saramago" - acrescenta.

"A edição especial da 7faces teve uma recepção muito boa desde quando lancei os convites aos professores para comporem um conselho editorial para a revista. Deixo registrado o agradecimento primeiro a eles. É do trabalho deles que essa edição vai se formando: a Professora Aurora Gedra R. Alvarez (Universidade Presbiteriana Mackenzie), o Professor Carlos Reis (Universidade Aberta de Lisboa) – que inclusive assina o prefácio da revista –, a Professora Conceição Flores (UnP), o Professor José Rodrigues de Paiva (UFPE), o Professor Gerson Luiz Roani (UFU), a Professora Maria Edileuza da Costa (UERN), o Professor Márcio Muniz (UFFS), o Professor Márcio de Lima Dantas (UFRN) e o Professor Miguel Alberto Koleff (Universidad Católica de Córdoba). Deixo o agradecimento ainda a todos os que submeteram seus ensaios. Dos textos recebidos, alguns não puderam entrar porque estava claro aquilo que eu buscava: qualidade na escrita e na leitura empreendida pelos ensaístas. Dos ensaístas agredeço em particular o Professor Fernando J. B. Martinho (Universidade de Lisboa) e concomitantemente a Fundação Calouste Gulbenkian pela sessão do texto que ora abre a edição. Depois ao Instituto Camões e a equipe da Revista Veredas pela sessão do texto da Professora Luciana Stegagno Picchio que fecha este número. Luciana Stegagno Picchio, é sim, o nome em memória a que esta 7faces é dedicada. As razões para isso o leitor deve se inteirar na nota que postei ao fim do texto da professora. Agradecimento ainda à Biblioteca Nacional de Lisboa por liberar a publicação dos inéditos de José Saramago que se apresentam no encarte elaborado para esta edição. Agradecimento aos artistas plásticos que enviaram ou cederam a publicação de materiais para ilustrar a edição. É o trabalho deles que quebra a secura do academicismo que ronda uma edição do tipo." - assim foi a fala de Pedro quando da apresentação do trabalho ontem na Ney Pontes.

© Letras in.verso e re.verso 

sábado, 9 de julho de 2011

O Evangelho segundo Jesus Cristo ganhará adaptação para o cinema

O realizador Miguel Gonçalves Mendes vai transformar em filme o romance "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago, e já tem um argumento adaptado para uma produção com equipa e elenco internacionais, disse à agência Lusa.

"É o mais cinematográfico de todos os romances de José Saramago, é o que tem a estrutura para adaptar para cinema", afirmou o realizador, que embarca neste projeto depois de ter rodado o documentário "José & Pilar". O projeto está ainda numa fase inicial. Será produzido pela Jumpcut, produtora de Miguel Gonçalves Mendes, mas terá co-produção internacional. "Só assim faz sentido", disse.

"A leitura da história é minha", mas está lá a essência do romance do Nobel português que tanta polémica causou nos anos 1990: "A desconstrução da imagem de Jesus, a questão da culpa, do livre arbítrio, do Bem e do Mal, de estarmos perdidos, o próprio papel da mulher, injustiçada", elencou o cineasta, ateu, de 32 anos.

©  Visão

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Extensa programação pelo aniversário de morte de José Saramago




Um concerto, a publicação de livros e uma sessão especial com o documentário "José & Pilar" são algumas das iniciativas que estão a ser preparadas para assinalar o primeiro aniversário da morte de José Saramago, a 18 de Junho, altura em que as cinzas do Prêmio Nobel da Literatura português serão depositadas em frente à futura sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, em Lisboa, junto a uma oliveira que virá da Azinhaga, onde nasceu.

O Ministério da Cultura está a promover e a organizar um concerto no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no dia 19 de Junho, às 17h30, com a participação da Orquestra Sinfônica Portuguesa e encenação da cineasta Teresa Villaverde. Será ouvida a voz de José Saramago na leitura do seu próprio texto, concebido para acompanhar a execução da obra-prima de Joseph Haydn - "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz", na sua versão para orquestra clássica.

"O que eu vou fazer é muito simples", diz por email Teresa Villaverde. "O José Saramago escreveu sete textos para as sete últimas palavras de Cristo. Vou tentar que os textos sejam ouvidos de uma forma que imagino pudesse agradar ao José Saramago. Vamos trazer para o palco pessoas da vida real, de várias idades e vidas difíceis", acrescenta a realizadora de "Transe".

Foi o músico e maestro catalão Jordi Savall que, em 2007, pediu ao prêmio Nobel português que reflectisse sobre a obra, "Septem Verba Christi in Cruce", escrita por Joseph Haydn em 1786 e que depois a gravou em disco e DVD. "Os textos que serão ditos, alguns com a voz de José Saramago, outros de formas diversas, que Teresa Villaverde está a conceber, foram escritos a pedido de Jordi Savall, que veio a Lanzarote fazer a gravação. São de uma beleza que arrasa. Estão editados em disco e em vídeo, mas ouvi-los no palco creio que será uma experiência única", explica por e-mail a presidente da Fundação Saramago, Pilar del Río. O concerto no CCB será de entrada livre, sujeita à lotação da sala.

No dia 18 de Junho, à noite, depois de se ter realizado a cerimónia de deposição das cinzas e o descerrar da placa onde se lerá Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia (de Memorial do Convento) em frente à Casa dos Bicos, a SIC irá transmitir o documentário "José & Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes, e à mesma hora haverá uma sessão na Cinemateca Portuguesa com a presença do realizador e da viúva de Saramago. E na mesma data, em parceria exclusiva com a FNAC, será lançado oficialmente o DVD do filme bem como o CD da banda sonora original. A esta banda sonora, com actuações exclusivas e temas originais de Adriana Calcanhotto, Camané, Luís Cília, Noiserv, Pedro Gonçalves (DeadCombo) e Pedro Granato, junta-se aos músicos a voz de Saramago, com as palavras que não couberam no filme.

Por esses dias será lançada a obra "Palavras para José Saramago", uma compilação de textos críticos da sua obra e de depoimentos e manifestações de homenagem ao escritor que foram sendo publicadas por várias personalidades de 23 países.

Também em Junho será reeditada na Caminho a "Viagem a Portugal", com capa nova e novo prefácio de Claudio Magris. E sairá também o livro infantil "O Silêncio da Água", que é um fragmento de "As Pequenas Memórias" (2006), reunindo as memórias de infância e adolescência de José Saramago. As ilustrações são do espanhol Manuel Estrada. O livro, que significou a conclusão de um projeto previsto havia mais de 20 anos, já está publicado em espanhol e catalão e vai ser editado em Portugal também pela Caminho.

© Público

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Casa-Museu de Saramago em Lanzarote deve abrir as portas a 18 de Março


A viúva de José Saramago, Pilar del Río, adiantou hoje, num chat com leitores do jornal espanhol El País, que a casa-museu do escritor na ilha de Lanzarote deverá ser aberta ao público no dia 18 de Março, exatamente nove meses após a morte do prêmio Nobel da Literatura naquela que foi a sua última residência.

Questionada sobre a continuidade da obra de Saramago em Espanha, Pilar afirmou a “firme vontade” de abrir a casa do escritor ao público naquela data, “para quem quiser entrar e respirar o ar de Saramago”. A conversa, refira-se, assinalou a estreia em Espanha, esta semana, do documentário “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes.

Numa entrevista concedida ao PÚBLICO em Novembro do ano passado, a viúva do escritor tinha já antecipado alguns pormenores sobre o funcionamento da casa-museu. Estará acessível não só a biblioteca que o escritor ali reuniu, mas também o escritório onde Saramago escreveu “Ensaio sobre a Cegueira”. “Durante várias horas, [a casa] estará aberta ao público e vai cheirar a café, porque vamos dar café português a todas as visitas. Passarão também pela cozinha, que é aberta, sairão pelo jardim. Irão à biblioteca e à sala de reuniões onde verão fotografias de Saramago em Lanzarote ou dele com escritores. A partir das três da tarde acabam as visitas e a casa continuará a ser vivida pelas pessoas que a habitam e que lá estão”, explicou Pilar del Río ao PÚBLICO.

Um dos momentos mais tocantes da conversa com os leitores do El País aconteceu quando Pilar foi confrontada com uma afirmação de Saramago no documentário, na qual ele diz que o céu não existe. “Onde está Saramago agora?”, perguntou o leitor. Pilar respondeu que o escritor está nos livros que escreveu. “Ele dizia que cuidássemos de cada livro que abríssemos porque, lá dentro, havia uma pessoa”, disse. Saramago, acrescentou, “está na música que ouviu, nos quadros que viu, nos livros que acariciou e, perdoem-me, está também no meu corpo”.

Questionada por um não leitor de Saramago que lhe pediu um motivo para passar a lê-lo, Pilar afirmou que aqueles que leem os livros do escritor português se sentem “mais espertos, mais altos, mais bonitos e melhores”. “Sentir-se-á respeitado como leitor, uma vez que terá que empenhar muito de si para compreender [o que lê] e tomará consciência de que é mais sábio do que pensava”, respondeu a viúva.

© Público

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sai o resultado do concurso "Uma página para Saramago"



Em nota divulgada hoje no seu blog, mentor do concurso, Pedro Fernandes divulgou o nome do vencedor para Uma página para Saramago; o concurso foi criado, segundo o estudioso, no intuito de provocar os leitores da obra do escritor português a com ela estabelecerem um diálogo através da escrita.

O concurso também integra a leva de atividades postas em prática desde que foi lançada a ideia de organização de uma edição especial do Caderno-revista 7faces acerca da produção poética do escritor. Durante o mês que esteve no ar a chamada para recepção de textos, o Concurso recebeu uma leva de 30 textos de leitores espalhados por todo o país.

O premiado receberá a edição do livro de José Saramago especificada na sua ficha de inscrição e terá o referido texto publicado na referida edição especial do Caderno-revista 7faces. Os demais participantes da ideia terão seus textos, aos poucos, por ordem de classificação, indexados no espaço Palavras dos leitores no blog-espaço Um caderno para Saramago, aqui.

Para fazer baixar o parecer com o resultado do concurso, devem acessar aqui. O arquivo está armazenado na Plataforma do 4Shared em formato PDF.