quarta-feira, 1 de junho de 2011

Extensa programação pelo aniversário de morte de José Saramago




Um concerto, a publicação de livros e uma sessão especial com o documentário "José & Pilar" são algumas das iniciativas que estão a ser preparadas para assinalar o primeiro aniversário da morte de José Saramago, a 18 de Junho, altura em que as cinzas do Prêmio Nobel da Literatura português serão depositadas em frente à futura sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, em Lisboa, junto a uma oliveira que virá da Azinhaga, onde nasceu.

O Ministério da Cultura está a promover e a organizar um concerto no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no dia 19 de Junho, às 17h30, com a participação da Orquestra Sinfônica Portuguesa e encenação da cineasta Teresa Villaverde. Será ouvida a voz de José Saramago na leitura do seu próprio texto, concebido para acompanhar a execução da obra-prima de Joseph Haydn - "As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz", na sua versão para orquestra clássica.

"O que eu vou fazer é muito simples", diz por email Teresa Villaverde. "O José Saramago escreveu sete textos para as sete últimas palavras de Cristo. Vou tentar que os textos sejam ouvidos de uma forma que imagino pudesse agradar ao José Saramago. Vamos trazer para o palco pessoas da vida real, de várias idades e vidas difíceis", acrescenta a realizadora de "Transe".

Foi o músico e maestro catalão Jordi Savall que, em 2007, pediu ao prêmio Nobel português que reflectisse sobre a obra, "Septem Verba Christi in Cruce", escrita por Joseph Haydn em 1786 e que depois a gravou em disco e DVD. "Os textos que serão ditos, alguns com a voz de José Saramago, outros de formas diversas, que Teresa Villaverde está a conceber, foram escritos a pedido de Jordi Savall, que veio a Lanzarote fazer a gravação. São de uma beleza que arrasa. Estão editados em disco e em vídeo, mas ouvi-los no palco creio que será uma experiência única", explica por e-mail a presidente da Fundação Saramago, Pilar del Río. O concerto no CCB será de entrada livre, sujeita à lotação da sala.

No dia 18 de Junho, à noite, depois de se ter realizado a cerimónia de deposição das cinzas e o descerrar da placa onde se lerá Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia (de Memorial do Convento) em frente à Casa dos Bicos, a SIC irá transmitir o documentário "José & Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes, e à mesma hora haverá uma sessão na Cinemateca Portuguesa com a presença do realizador e da viúva de Saramago. E na mesma data, em parceria exclusiva com a FNAC, será lançado oficialmente o DVD do filme bem como o CD da banda sonora original. A esta banda sonora, com actuações exclusivas e temas originais de Adriana Calcanhotto, Camané, Luís Cília, Noiserv, Pedro Gonçalves (DeadCombo) e Pedro Granato, junta-se aos músicos a voz de Saramago, com as palavras que não couberam no filme.

Por esses dias será lançada a obra "Palavras para José Saramago", uma compilação de textos críticos da sua obra e de depoimentos e manifestações de homenagem ao escritor que foram sendo publicadas por várias personalidades de 23 países.

Também em Junho será reeditada na Caminho a "Viagem a Portugal", com capa nova e novo prefácio de Claudio Magris. E sairá também o livro infantil "O Silêncio da Água", que é um fragmento de "As Pequenas Memórias" (2006), reunindo as memórias de infância e adolescência de José Saramago. As ilustrações são do espanhol Manuel Estrada. O livro, que significou a conclusão de um projeto previsto havia mais de 20 anos, já está publicado em espanhol e catalão e vai ser editado em Portugal também pela Caminho.

© Público

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Casa-Museu de Saramago em Lanzarote deve abrir as portas a 18 de Março


A viúva de José Saramago, Pilar del Río, adiantou hoje, num chat com leitores do jornal espanhol El País, que a casa-museu do escritor na ilha de Lanzarote deverá ser aberta ao público no dia 18 de Março, exatamente nove meses após a morte do prêmio Nobel da Literatura naquela que foi a sua última residência.

Questionada sobre a continuidade da obra de Saramago em Espanha, Pilar afirmou a “firme vontade” de abrir a casa do escritor ao público naquela data, “para quem quiser entrar e respirar o ar de Saramago”. A conversa, refira-se, assinalou a estreia em Espanha, esta semana, do documentário “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes.

Numa entrevista concedida ao PÚBLICO em Novembro do ano passado, a viúva do escritor tinha já antecipado alguns pormenores sobre o funcionamento da casa-museu. Estará acessível não só a biblioteca que o escritor ali reuniu, mas também o escritório onde Saramago escreveu “Ensaio sobre a Cegueira”. “Durante várias horas, [a casa] estará aberta ao público e vai cheirar a café, porque vamos dar café português a todas as visitas. Passarão também pela cozinha, que é aberta, sairão pelo jardim. Irão à biblioteca e à sala de reuniões onde verão fotografias de Saramago em Lanzarote ou dele com escritores. A partir das três da tarde acabam as visitas e a casa continuará a ser vivida pelas pessoas que a habitam e que lá estão”, explicou Pilar del Río ao PÚBLICO.

Um dos momentos mais tocantes da conversa com os leitores do El País aconteceu quando Pilar foi confrontada com uma afirmação de Saramago no documentário, na qual ele diz que o céu não existe. “Onde está Saramago agora?”, perguntou o leitor. Pilar respondeu que o escritor está nos livros que escreveu. “Ele dizia que cuidássemos de cada livro que abríssemos porque, lá dentro, havia uma pessoa”, disse. Saramago, acrescentou, “está na música que ouviu, nos quadros que viu, nos livros que acariciou e, perdoem-me, está também no meu corpo”.

Questionada por um não leitor de Saramago que lhe pediu um motivo para passar a lê-lo, Pilar afirmou que aqueles que leem os livros do escritor português se sentem “mais espertos, mais altos, mais bonitos e melhores”. “Sentir-se-á respeitado como leitor, uma vez que terá que empenhar muito de si para compreender [o que lê] e tomará consciência de que é mais sábio do que pensava”, respondeu a viúva.

© Público

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sai o resultado do concurso "Uma página para Saramago"



Em nota divulgada hoje no seu blog, mentor do concurso, Pedro Fernandes divulgou o nome do vencedor para Uma página para Saramago; o concurso foi criado, segundo o estudioso, no intuito de provocar os leitores da obra do escritor português a com ela estabelecerem um diálogo através da escrita.

O concurso também integra a leva de atividades postas em prática desde que foi lançada a ideia de organização de uma edição especial do Caderno-revista 7faces acerca da produção poética do escritor. Durante o mês que esteve no ar a chamada para recepção de textos, o Concurso recebeu uma leva de 30 textos de leitores espalhados por todo o país.

O premiado receberá a edição do livro de José Saramago especificada na sua ficha de inscrição e terá o referido texto publicado na referida edição especial do Caderno-revista 7faces. Os demais participantes da ideia terão seus textos, aos poucos, por ordem de classificação, indexados no espaço Palavras dos leitores no blog-espaço Um caderno para Saramago, aqui.

Para fazer baixar o parecer com o resultado do concurso, devem acessar aqui. O arquivo está armazenado na Plataforma do 4Shared em formato PDF.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Livros de Saramago em formato digital nos EUA


A editora Houghton Mifflin Harcourt vai lançar uma coleção de 12 romances e uma novela de José Saramago em formato digital no mercado norte-americano, em consonância com as edições semelhantes já disponíveis em Espanha (pela Alfaguara) e em Portugal (pela Mediabooks, da Caminho).

Na coleção, que será apresentada na segunda-feira (dia 29) nos Estados Unidos, estarão incluídos títulos como Memorial do Convento (1982), O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991) e Ensaio sobre a Cegueira (1995).

Bruce Nichols, vice-presidente e editor da Harcourt, uma edição em papel "com esta dimensão seria muito cara e complicada", tanto para a editora como para os leitores. A edição digital, porém, "torna-se mais simples e compor- tável". Segundo o editor, os actuais dispositivos de leitura em formato eletrônico, como o Kindle ou o iPad, "podem complementar as edições em papel dos livros de José Saramago".

Assim, a coleção estará disponível nos EUA com o cômodo preço de 36 dólares, um valor pouco superior a 27 euros.

© DN Artes

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Diagnósticos do presente em José Saramago, Jorge Reis-Sá e Chico Buarque



É sabido que o mundo contemporâneo tem passado por movimentos diversos que encareceram os modos de existir dos sujeitos. A consolidação das primeiras marcas do que hoje entendemos como crise se dá pela soma de uma série de episódios desencadeados, sobretudo, com a Primeira Guerra Mundial. As transformações que este episódio em particular trouxe ao mundo moderno não se resumiu apenas à remodelagem das linhas espaciais do continente físico europeu ou as da história do homem no planeta, mas, feito rastilho de pólvora, tais transformações se alastraram e contaminaram, por assim dizer, o mundo todo, e trouxe marcas de remodelagens às linhas cartográficas da própria subjetividade dos sujeitos. De lá para cá, os espaços subjetivos tem se tornado cada vez mais peças fragmentárias e os modos de existir, cada vez mais esvaziados e escorregadios, eternos invólucros fugazes do momento. A forma como tudo isso se manifestou no campo das artes, sobretudo, na Literatura, datam pelo advento do Nouveau Roman. Desde 1950-1960, os anos de experimentação do movimento francês, o romance incorpora novas formas de narrar a ponto de, por exemplo, mergulhar na radicalização do que foi o romance psicológico que solavancou as categorias de narrativa e da própria existência do romance. Entretanto, antes de uma apressada morte do romance, conforme sondaram alguns críticos, essas transformações, que se deram principalmente no que se refere ao perfil temático das obras, que passam agora abarcar o mundo exterior nas formas de narrar, trouxeram para o interior do gênero literário, a discussão das aceleradas transformações que fizeram do sujeito e do espaço social em categorias moveis, dilatadas, em constante estágio de estratificação. O valor desse minicurso reside em discutir e analisar o comportamento que tais questões, especificamente, as dos espaço e das sujeitos, localizadas no interior das discussões contemporâneas no que dizem respeito ao trato do lema de “crise”, desempenham ou modo como se constituem no corpo do romance brasileiro e português. Para a consolidação desse interesse, fundamentais nesse percurso, são as obras de José Saramago, Jorge Reis-Sá e Chico Buarque; tratam-se de obras que colocam em evidência os estatutos do mundo contemporâneo, seja por sua perspectiva comunicativa – inauguradora de novos modos no trabalho com a linguagem e com o fazer literário, consequentemente – seja por sua perspectiva temática, sobretudo – reinventando temas, como os de sujeito e de espaço, temas de interesse ao espelho da modernidade e ainda dispersos de significação literária, logo, temas necessários de uma análise mais acurada..

Informações sobre inscrições: acessar o Site do I Colóquio Nacional de Estudos Linguísticos e Literários


© Letras in.verso e re.verso