quinta-feira, 23 de abril de 2015

35ª edição da Revista Blimunda


A Blimunda chega aos três anos e a 35ª edição. Em abril, mês de duas perdas muito próximas ao escritor português, o editorial da revista é dedicado a esses finais que são começos, como afirmou uma vez Eduardo Galeano, um dos grandes que partiu nos últimos dias e que nos deixará muitas saudades. Nas Leituras do Mês, Günter Grass, Manoel de Oliveira, Galeano, François Maspero e Herberto Helder são recordados, publicando-se também deste último um conjunto de poemas escolhidos por Manuel Gusmão, Gustavo Rubim, Rita Taborda Duarte, Manuel Frias Martins e Manuel Alberto Valente. Mais: a cobertura do Festival Rota das Letras, em Macau e uma conversa com Murong Xuecun, que nos conta como é ser um escritor na China dos dias de hoje; da The Child and Book Conference em Aveiro este ano dedicado à análise de temas fracturantes neste gênero literário; da 13ª edição da Festa do Jazz do São Luiz, num dossier que inclui uma entrevista com o músico Carlos Martins, diretor artístico da Festa, e um texto do músico Matt Pavolka que, em 2008 atuou no São Luiz apresentando um tema composto a partir da última frase do primeiro capítulo de "Ensaio sobre a cegueira". E a propósito do centenário da revista "Orpheu", esse acontecimento marcante para a arte e para a literatura do século XX, a Blimunda reproduz algumas páginas do número 3 da publicação, que nunca chegou a ser impresso.

Para baixar a edição basta ir aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eduardo Galeano

Por José Saramago




Grande alvoroço nas redacções dos jornais, rádios e televisões do mundo. Chávez aproxima-se de Obama com um livro na mão, é evidente que qualquer pessoa de bom senso achará que a ocasião para pedir um autógrafo ao presidente dos Estados Unidos é muito mal escolhida, ali, em plena reunião da cimeira, mas, afinal, não, trata-se antes de uma delicada oferta de chefe de Estado a chefe de Estado, nada menos que As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. Claro que o gesto leva água no bico. Chávez terá pensado: “Este Obama não sabe nada de nós quase que ainda não tinha nascido, Galeano lhe ensinará.” Esperemos que assim seja. O mais interessante, porém, além de se terem esgotado As veias na Amazon, as quais passaram num instante de um modestíssimo lugar na tabela de venda às glória comercial do best-seller, de cinquenta e tal mil a segundo na classificação, foi o rápido e parecia que concertado aparecimento de comentários negativos, sobretudo na imprensa, tratando de desqualificar embora num caso ou noutro com certos matizes benevolentes, o livro de Eduardo Galeano, insistindo em que a obra, além de se exceder em análises mal fundamentadas e em marcados preconceitos ideológicos, estava desactualizada em relação à realidade presente. Ora, As veias abertas da América Latina foi publicada em 1971, há quase quarenta anos, portanto, a não ser que o seu autor fosse uma espécie de Nostradamus, só com um hercúleo esforço imaginativo seria capaz de adiantar a realidade de 2009, tão diferente já dos anos imediatamente anteriores. A denúncia dos apressados comentadores, além de mal-intecionada, é bastante ridícula, tanto como o seria a acusação de que a História verdadeira da conquista da Nova Espanha, por exemplo, escrita no século XVII por Bernal Díaz del Castillo, abunda, também ela, em análises mal fundamentadas e em mercadíssimos preconceitos ideológicos. A verdade é que quem pretende ser informado sobre o que se passou na América, naquela América, desde o século XV, só ganhará em ler o livro de Eduardo Galeano. O mal daqueles e outros comentadores que enxameiam por aí é saberem pouco de História. Agora só nos falta ver como aproveitará Barack Obama da leitura de As veias abertas. Bom aluno parece ser. Bom aluno parece ser.

* A partir de O caderno 2: textos escritos para o blog. Setembro de 2008-Novembro de 2009


domingo, 12 de abril de 2015

O romance Todos os nomes, de José ‪‎Saramago para o teatro




Depois de um tributo no Iberian Suite, em Washington, e da estreia da ópera As Intermitências da Morte em San Francisco, é a vez de Todos os Nomes chegar a um palco nos Estados Unidos. A partir de 10 de abril, no Quantum Theater, em Pittsburgh (Pensilvânia). A adaptação foi idealizada por Karla Boos e equipe traz para o palco a obsessão do Sr. José em busca da mulher desconhecida.